"Há protestos de vez em quando, alguns poucos protestos, e a caravana vai passando", afirmou Michel Temer, ao minimizar as críticas que vem recebendo
"Há protestos de vez em quando, alguns poucos protestos, e a caravana vai passando", afirmou Michel Temer, ao minimizar as críticas que vem recebendo | Foto: Beto Barata/PR


Brasília - Sob o risco de ser afastado temporariamente do cargo, o presidente Michel Temer disse nessa terça-feira (11) que respeitará qualquer que seja o resultado da votação da denúncia contra ele na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Em discurso no lançamento do Plano Safra 2017/2018, o peemedebista disse que a Câmara tomará uma decisão "importantíssima" nesta semana e que não é hora de ter "dúvidas" ou "receios".

A expectativa é de que na sexta-feira (14) seja finalizada a tramitação da denúncia por corrupção passiva na CCJ, sendo votada em plenário na semana que vem. Para que a ação seja aberta pelo STF (Supremo Tribunal Federal), é preciso que 342 dos 513 deputados votem a favor dela.

"A Câmara dos Deputados nesta semana tem uma importantíssima decisão a tomar e eu respeitarei qualquer que seja o resultado da votação. Não é hora de duvidas e receios, a hora é de respostas rápidas", disse.

No discurso, o presidente ressaltou que ainda conta com respaldo junto ao Poder Legislativo e disse que, embora o governo enfrente protestos "de vez em quando", "a caravana tem de continuar a passar".

"Há protestos de vez em quando, alguns poucos protestos, e a caravana vai passando. Nós somos a caravana", disse.

Para ele, o único caminho a enfrentar é "não ter medo". "Nós devemos deixar os receios de lado", disse. O peemedebista também disse que a reforma trabalhista (no Senado) seria aprovada nessa terça-feira (11), ainda que a expectativa do Palácio do Planalto seja de um resultado apertado.

"Não tenho dúvidas de que continuaremos avançando. O meu governo não perdeu tempo, deixou a matéria pronta e ela vai ser aprovada, se Deus quiser", disse.
O presidente disse ainda que, deixando "toda modéstia de lado", soube escolher uma equipe ministerial que tem "dado os melhores resultados para o país".

"É um governo de um ano e um mês. E tem sido vítima das mais variadas contestações, o que é natural da democracia. Enquanto alguns protestam, a caravana passa. E a caravana está passando. Isso é que é importante", disse.

O presidente destacou o caráter descentralizador do seu governo, citou medidas como a reforma do ensino médio e a queda dos juros, e comemorou, acrescentando que seu governo em um ano e um mês fez tanto pelo país "como não se fez nos anos passados".

Ao todo, o ministro do STF Edson Fachin determinou a abertura de inquéritos contra oito ministros do governo peemedebista no rastro da Operação Lava Jato.
"Nós soubemos escolher a nossa equipe e não são coisas vindas do céu. Nós soubemos escolher uma equipe que tem dados os melhores resultados ao país", disse.


AGRADECIMENTO

Ao final do discurso, Temer agradeceu os deputados que saíram em sua defesa na sessão de segunda-feira na CCJ. A comissão trata da admissibilidade ou não da denúncia de corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer.

"E para não dizer que não falei de flores, quero agradecer enormemente àqueles que no dia de ontem usaram sua palavra, sua oratória, sua emoção, mas particularmente sua indignação, contra o que ouviram na comissão. Eu quero dizer que estarei obediente ao que os senhores deputados decidirem", disse.

Temer reafirmou que o que está sendo feito é uma injustiça contra ele e contra o Brasil. E acusou seus adversários de quererem paralisar o país. "Nas orações que fizeram eles [deputados aliados] revelaram a indignação com a injustiça. Não só a injustiça com o fato em si, mas a injustiça que se faz com o Brasil. Porque os que querem impedir que continuemos, querem paralisar o país. De modo que não vamos admitir isso, não vamos tolerar".


'COTOVELADA'

No evento, o Banco do Brasil anunciou que irá disponibilizar R$ 103 bilhões em financiamentos para a atividade rural, dos quais R$ 91,5 bilhões serão destinados a produtores e cooperativas.

Segundo o presidente da instituição financeira, Paulo Caffarelli, o montante disponibilizado para a nova safra é 30% maior que a anterior e serão reduzidas em um ponto percentual os juros para as linhas de custeio, investimento e comercialização.

Em discurso, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) destacou o aumento da produção agrícola no país e ressaltou que não se conquista mercados estrangeiros com "beijos" e "abraços". Com Agência Brasil

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