Agência EstadoDívida pagaO deputado Michel Temer: ‘‘Não devo nada ao governo’’Poucas horas depois de ser empossado, o novo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou não ter dívida com o governo, que comandou uma operação de guerra para garantir sua eleição. ‘‘Não devo nada ao governo, ele me apoiou porque o apoiei na emenda da reeleição’’, disse o presidente. Segundo ele, esta conclusão parte ‘‘de pessoas que querem diminuir sua vitória’’.
Escolhido também o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o Congresso deve retomar suas atividades dia 17. Na tarde de quarta-feira, quando soube do resultado apertado que elegeu Temer, o presidente Fernando Henrique Cardoso confidenciou a um amigo parlamentar que se não fosse o esquema político montado para eleger o peemedebista, ele teria perdido.
Temer obteve 257 votos, exatamento o número necessário para não haver segundo turno. A decisão exigia maioria absoluta da Casa, que tem 513 deputados. Foram 84 a menos do que o anunciado pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que controlava um dos mapas de intenções de voto.
A quarta-feira era dia de comemorações. Temer ainda empossava os outros integrantes da Mesa Diretora e o bloco parlamentar de apoio já o esperava para o happy hour da vitória na residência do deputado Jurandyr Paixão (PMDB-SP). Antes, o homenageado passou pelo Palácio do Planalto para depois brindar com ministros, cerca de 200 parlamentares e muitos assessores a vitória suada do dia.
Engajado na campanha para eleger Temer, o anfitrião não poupou esforços para a comemoração. Os preparativos da festa foram feitos na véspera da eleição e três dezenas de champanhe Cristal foram servidas aos convidados, na homenagem que só terminou à meia-noite.
‘‘Não foi uma disputa fácil, porque eu tinha dois adversários prestigiados na Casa, mais do que eu’’, admitiu Temer, referindo-se aos candidatos derrotados Wilson Campos (PSDB-PE) e Prisco Viana (PPB-BA). Sobre o erro de tática dos governistas ao não aceitarem o nome do deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), indicado pelo PPB para a vaga da segunda vice-presidência na chapa, Temer comentou que ‘‘nem abriu a boca’’.
Mostrou também ressentimento: ‘‘Não tive mais do que três votos dentro do PT’’, disse o deputado, que havia reservado a vaga da terceira secretaria na chapa aos petistas, certo de que teria em troca pelo menos 15 votos.
Nas últimas semanas, Temer passou por momentos em que duvidou de sua vitória, mesmo tendo o governo como cabo eleitoral. O pior deles, conta o deputado, foi o pós-convenção do PMDB, quando o partido rachou e atrapalhou os planos do governo para a votação da emenda da reeleição.
Garantida a aprovação da proposta na comissão especial da Câmara e sem acordo com os senadores peemedebistas para a votação no plenário, foi o líder do governo na Câmara, deputado Benito Gama (PFL-BA), o emissário do ultimato a Temer. ‘‘Se você não colocar o PMDB para votar a emenda, perde a eleição para a presidência da Câmara’’, alertou Gama.
Na noite de 28 de janeiro, a emenda era aprovada com o apoio de 67% dos peemedebistasno plenário, em primeiro turno. ‘‘Naquela noite falei comigo mesmo: estou eleito presidente da Câmara’’, lembrou o líder.

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