São Paulo - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou ontem que o vice-presidente Michel Temer concorda com ele na visão de que não é preciso aumentar impostos, seja a CPMF ou qualquer outro, para fechar as contas públicas. Skaf se reuniu com vice no Palácio do Jaburu por quase seis horas e meia e saiu afirmando que "em hipótese alguma" apoiará em um eventual governo Temer o aumento da carga tributária. "Acreditamos e sabemos que é possível acertar as contas do governo pelo lado das despesas, reduzindo o desperdício e melhorando a gestão", afirmou.
Skaf disse ter apresentado ao vice a situação grave pela qual passa a economia brasileira, com o fechamento das indústrias e do comércio e o aumento do desemprego. Para ele, o aumento da arrecadação se dará "naturalmente" com a retomada do crescimento. "Não é possível sacrificar as empresas e as famílias neste momento", destacou.
O presidente da Fiesp, cotado para assumir um ministério, afirmou não ter discutido com Temer sobre nomes de um eventual governo caso o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado.

MEIRELLES
O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles foi sondado por Temer anteontem sobre a possibilidade de comandar o Ministério da Fazenda caso o vice venha a assumir a Presidência da República. Meirelles teria dito que aceitaria assumir a pasta, desde que pudesse dar a palavra final sobre todos os nomes da área econômica de eventual novo governo. Fazem parte dessa lista o Ministério do Planejamento e as presidências do Banco Central, do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa. Temer não pode fazer convites formais antes da votação final sobre a abertura do processo de impeachment, prevista para maio. Eles ficaram de voltar a conversar depois da decisão.

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