O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), desistiu de participar das eleições prévias do partido, em 20 de janeiro, e passou a apoiar a pré-candidatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS) a presidente. A decisão foi tomada durante um almoço da cúpula da legenda na residência oficial do presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), e significa, na prática, uma decisão do grupo que venceu a convenção partidária de setembro, com quase 70% dos votos.

Simon, por seu lado, comprometeu-se a não se apresentar como um candidato de oposição ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual a agremiação participa e apóia.

O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que participou da reunião e hoje deixará o cargo, disse que a posição assumida por Simon deixará o PMDB a vontade para continuar no governo depois das prévias. ''Só haverá incompatibilidade entre o PMDB e o governo no dia em que o presidente FHC anunciar o seu apoio pessoal a uma candidatura que não seja a nossa'', disse o ministro.

A articulação que fortalece a candidatura Simon pode ter consequências negativas para as pretensões do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). A definição de Itamar como pré-candidato oposicionista geraria uma crise interna e obrigaria a sigla a sair do governo. Essa hipótese não está inteiramente descartada, mas o apoio desse grupo a Simon mudou a tendência da agremiação.

O senador gaúcho assumiu o compromisso de dar rumo próprio à sua candidatura, se vencer Itamar. Ele disse que pretende fazer uma campanha para apresentar as idéias do PMDB e resgatar o ''papel histórico do partido na sociedade brasileira''. ''O PMDB está jogando a sua última cartada'', disse Simon. ''Não precisa nem ganhar a eleição presidencial, mas não pode deixar de fazer uma grande campanha de resgate das idéias e da unidade do partido.''

Temer pretende submeter a Simon e Itamar, numa reunião, segunda-feira, em Brasília, um esboço das regras a para a escolha do candidato. A executiva nacional da legenda discutiu ontem uma proposta elaborada pelo secretário-geral da sigla, deputado João Henrique (PB), que reduz o número de votantes de cerca de 70 mil filiados para em torno de 6 mil. A decisão será tomada dia 20.

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