O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), descartou ontem a abertura de uma CPI para apurar o possível envolvimento do governo na liberação de verbas para a construção superfaturada do prédio do TRT de São Paulo. A criação da CPI só seria possível com o aval de Temer e do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que teriam de convocar o Congresso – em recesso até agosto – mas eles não parecem dispostos a isso. ‘‘Não há razão e nem condições objetivas para convocar o Congresso e muito menos para instalar uma CPI’’, afirmou Temer. ‘‘Já houve uma CPI sobre o assunto, que hoje está sob os cuidados de uma subcomissão do Senado e do Ministério Público.’’
Além disso, o presidente da Câmara lembra que os deputados estão em plena campanha eleitoral. ‘‘Seria muito difícil interromper o recesso e fazer com que todos viessem para Brasília’’, argumenta Temer. Ele próprio, aliás, diz que só pretende retornar à capital federal no próximo mês. Preocupado com as repercussões do caso, Temer acha que a contribuição do Congresso tem de ser outra. ‘‘O País precisa de coisas mais positivas, como a reforma tributária, que queremos votar em agosto’’, disse.
Apesar do tom otimista, Temer não disfarça sua preocupação com as eventuais consequências do episódio. ‘‘O melhor mesmo é que tudo fique esclarecido o mais rápido possível’’, declarou ele. Embora não admita publicamente, o seu grande temor é que surja uma fita com conversas entre o juiz Nicolau dos Santos Neto e os assessores diretos de FHC.

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