Temer desautoriza acordo do PMDB com o PT
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sexta-feira, 09 de maio de 2003
Agência Folha 
Brasília - O presidente do PMDB, Michel Temer (SP), desautorizou o acordo feito pela bancada do partido no Senado com o governo anteontem. Segundo o deputado, a posição institucional da sigla é de apoio às reformas e à política econômica, mas de ''autonomia'' em relação ao Planalto, nos termos da nota assinada por ele e os governadores da legenda em abril.
O acordo firmado na noite de anteontem é restrito ao Senado, onde a bancada governista é minoritária (tem 30 dos 81 senadores), e foi precipitado pela aliança do PMDB com PFL e PSDB contra itens da MP 107. O líder Renan Calheiros (AL) insiste que o partido vai ''aprimorar'' a MP, mas é certo que, agora, fará isso de forma negociada com o Palácio do Planalto.
''Vamos aprimorar em todos os sentidos, inclusive em relação aos impostos'', disse Calheiros, referindo-se aos aumentos da CSLL, para empresas prestadoras de serviços, e da Cofins, para os bancos, estabelecidos pela 107. PFL e PSDB querem derrubar o aumento das duas contribuições.
O anúncio do acordo provocou fortes reações no PMDB, sobretudo na bancada da Câmara, mais refratária ao entendimento com o Planalto. Deveria ser oficializado na próxima semana, após um encontro das duas bancadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dia a ser acertado entre Temer e Dirceu em reunião prevista para segunda.
''Oficialmente o PMDB não entrou no governo'', disse Temer. O próprio Calheiros fez questão de afirmar que o acordo do Senado, que inclui a indicação do senador Amir Lando (RO) para a função de líder do governo no Congresso, é apenas ''mais um gesto de lado a lado'' em um namoro cujo desfecho será a participação do partido no ministério de Lula.
Mesmo os governistas do PMDB consideraram precipitada a divulgação do acordo do Senado sem que antes fossem negociados e resolvidos os interesses dos governadores e dos deputados. Argumentam que o anúncio poderia ser mais adiante, com a presença de Temer, o que daria um caráter institucional ao entendimento. Temer não estaria necessariamente contra o acordo, mas estaria se sentindo atropelado.
Desde que começaram as conversas com o governo, ainda na transição, Temer é pressionado por governistas e por deputados que se opõem a qualquer entendimento com o Planalto, apelidados no partido de ''viúvas de FHC'' e ''de ''radicais do PMDB''.
O grupo, segundo avaliação dos governistas, teria no máximo 11 deputados e seus principais nomes são o ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha (RS), o ex-assessor especial do Planalto Moreira Franco (RJ) e o ex-líder Geddel Vieira Lima (BA).


