Temer defende que PMDB deixe o governo e entregue os cargos
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sábado, 09 de junho de 2001
Silvio Bressan Agência Estado De São Paulo 
O governo acaba de ganhar mais um problema no PMDB. O ex-presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), um dos maiores defensores da aliança governista na cúpula do partido, está mudando de lado. Temer defende pela primeira vez que o partido saia do governo e entregue todos os cargos. Para ele, será inviável, impraticável, impossível negar a possibilidade de candidatura própria. Optou pela candidatura própria, tem de sair do governo.
AE O PMDB está dentro ou fora do governo?
Temer O PMDB tem de decidir imediatamente seu rumo. Ou ele integra em definitivo a base do governo, faz uma opção clara e defende essa opção, ou vai imediatamente, em definitivo, para a candidatura própria.
AE E aí sairia do governo?
Temer Aí necessariamente teria de sair do governo. Não vejo como compatibilizar as duas posições. Até porque são contraditórias. Não creio que seja possível ter definição pela candidatura própria e permanecer no governo. Acho absolutamente inviável.
AE - Essa situação é atávica no PMDB? Desde o governo Sarney (1985-1990) que o partido vive o dilema de ser ou não governista.
Temer - Acho que em face da sua pluralidade regional. O PMDB tem uma organização nacional, mas tem uma presença de líderes locais muito fortes e muitas vezes em divergência. Essa divergência é que tem prejudicado o PMDB. E eu penso até que a tese da candidatura própria, que hoje é prevalecente no PMDB, poderia servir para estabelecer a unidade partidária.
AE Nesse caso, o PMDB entregaria todos os cargos?
Temer - No instante em que haja definição pela candidatura própria, recomenda a ética política que se entreguem os cargos.
AE Mas muitos no PMDB acham melhor continuar com um pé no governo e outro na candidatura própria, até como instrumento de chantagem.
Temer Não acho que essas pessoas queiram chantagear. Agora é uma posição que não dá para sustentar.
AE O partido poderá pagar na urna por essa indefinição?
Temer Não há dúvida. Vai sofrer as consequências políticas que se manifestarão nas urnas. Se, ao contrário, toma uma decisão concreta, firme e positiva, fica maior perante o eleitor.
AE E qual é a sua posição pessoal?
Temer Acho que é muito importante para o PMDB ter candidato próprio. É a vontade prevalecente da base do partido. Não descarto a hipótese da aliança.
AE Será difícil manter a aliança até 2002?
Temer Depende da convenção, mas sinto em todo o País uma tendência muito grande pela candidatura própria. Será inviável, impraticável, impossível negar essa possibilidade.
AE - A não ser que o governo mude.
Temer - A não ser que haja uma reequação das forças políticas. Mas eu creio, com toda a franqueza, que já está ficando tarde. Hoje a tese da candidatura própria se entranhou no espírito de todos os peemedebistas.


