Temer decide que PSDB indica seu candidato
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Sônia Cristina Silva e Christiane Samarco Agência Estado De Brasília 
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu ontem que o PSDB tem o direito de indicar o candidato oficial na disputa pela presidência da Câmara porque tinha a maior bancada em 15 de dezembro, quando se encerrou a última sessão legislativa. Agora, o líder e candidato do PSDB, Aécio Neves (MG), espera obter o apoio do PT, que tem defendido a tese do respeito às regras que possibilitam ao partido majoritário apontar o candidato a presidente.
Temer argumentou que é preciso obedecer ao Regimento Interno e aos princípios constitucionais, pelos quais a proporcionalidade que define a maior bancada deve ser atual. Pelo levantamento da Câmara, em 15 de dezembro, o PSDB tinha 105 deputados, contra 103 do PFL e 99 do bloco PMDB/PTN. O PT tinha 59 parlamentares.
Ele também permitiu o lançamento de candidaturas avulsas no plenário, abrindo caminho para o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), e para os deputados Severino Cavalcanti (PPB-PE), Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), que estão na disputa marcada para dia 14. Segundo Temer, ganhará a eleição quem obtiver a maioria dos votos válidos, não sendo exigido o apoio da maioria absoluta, isto é, de 257 do total de 513 deputados.
A decisão do presidente da Câmara foi comemorada por Neves. Ao considerar o PSDB o partido majoritário, Temer oficializou a realidade que todos constatam, afirmou. O líder tucano está convencido de que o apoio do PT é um caminho natural e espera, com a adesão da esquerda, tornar a candidatura institucional.
Apesar de o otimismo de Neves, o futuro líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro disse que a decisão de Temer não muda a atitude da bancada de ouvir os candidatos. Os 56 deputados vão estabelecer quais os aspectos que nortearão o partido em relação ao apoio a alguma candidatura, disse.
Já Inocêncio Oliveira informou que a assessoria dele entrará com um recurso contra a decisão de Temer no início da próxima semana. Ele pretende pedir que a Mesa Diretora, e não Temer isoladamente, decida a questão. Se a resposta lhe for desfavorável, promete recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.


