RIO - O presidente da Câmara de Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), conclamou ontem os empresários a promoverem manifestações em Brasília, para assegurarem seus direitos, como fizeram os representantes do Movimento dos Sem Terra (MST). Ele disse esperar o apoio dos empresários organizados para aprovar as reformas. Em almoço com 120 empresários na Associação Comercial do Rio, Temer reconheceu que a reforma tributária está paralisada, por causa das ‘‘pressões de Estados e municípios, que temem perder receita’’. Temer acusou os setores empresariais de ‘‘enclausuramento’’. ‘‘Esses setores não aparecem no ambiente aberto, quando deveriam fazer manifestações estratégicas em Brasília.’’
Temer disse que, desde que assumiu a presidência da Câmara, há três meses, foi procurado ‘‘por sete ou oito entidades sindicais’’ ligadas à Central Única de Trabalhadores (CUT). ‘‘Recebi até o senhor João Pedro Stédile, do MST, mas, infelizmente ninguém da área empresarial me procurou’’, declarou. Na opinião de Temer, os empresários devem se empenhar em movimentações estratégicas na capital do País. Ele afirmou que as entidades empresariais deveriam não só conversar com ele, em Brasília, como também com líderes dos partidos e representantes do Executivo e do Judiciário. ‘‘Não pode haver imobilismo social.’’
Temer admitiu que a reforma que mais interessa o setor empresarial, a tributária e fiscal, está parada até que o governo apare as arestas com os Estados e municípios. ‘‘A idéia é retardar um pouco essa reforma, e por isso os empresários devem se mobilizar, participando também do processo de votação de outras reformas importantes, como a administrativa e a previdenciária’’.

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