BRASÍLIA - O PFL e o PMDB vão tentar atrair o apoio do PT para a candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara oferecendo a vaga de segundo vice-presidente. Para amarrar aliados e oposição ao acordo que dá o comando da Câmara a Temer, PMDB e PFL acertaram apressar a formação de uma chapa completa para os sete postos de direção da Casa, com a participação do maior número possível de partidos.
A articulação teve o apoio da cúpula do PSDB, que quer o deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE) na primeira-secretaria. Tudo para conter o avanço da candidatura avulsa de outro tucano - o deputado Wilson Campos (PE) - e para neutralizar a movimentação em favor do candidato do PPB, Prisco Viana (BA). Ao mesmo tempo que PMDB e PFL tratavam do ‘‘chapão’’, ontem à tarde, os líderes do PPB, Odelmo Leão (MG), e do PL, Valdemar Costa Neto (SP), declaravam apoio ‘‘à candidatura suprapartidária’’ de Prisco.
‘‘Nossa grande jogada é reservar ao PT a vaga que tem o perfil do partido’’, disse o líder pefelista, Inocêncio Oliveira (PE), que montou a estratégia com a ajuda do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (BA). É que o segundo vice-presidente acumula as funções de corregedor da Câmara, uma espécie de ‘‘xerife’’ da ética parlamentar e do cumprimento das regras regimentais.
A preocupação do PFL com o acordo não pôs de lado a determinação de manter o status de maior bancada. O partido filiou ontem os deputados Elton Rohnelt (RR) e João Carlos Bacelar (BA), ambos egressos do PSC. Com isto, empatou em número de deputados (102) com o PMDB, e promete desempatar nos próximos dias com a filiação do deputado José Lourenço, do PPB baiano.
Temer conta com a oferta aos petistas para vencer a resistência das esquerdas, que o apontam como candidato oficial e exigem mais independência em relação ao Planalto. ‘‘O ideal é que o PT indicasse logo um nome para liquidarmos isto já, mas a hipótese de deixar a vaga em aberto até a eleição não está descartada’’, disse Temer.

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