FOLHA - Quem é o Tulio Bandeira? Qual seu passado político e por que entrou para a política?
Bandeira - Com 17 anos eu estudava em Curitiba, meu pai passou por um momento financeiro difícil e eu tive que começar a trabalhar. Ou eu trabalhava ou eu tinha de voltar para o interior do Paraná, Santo Antônio do Sudoeste. Era 1989, ano eleitoral, e fui falar com o candidato a deputado da minha cidade, que era ex-prefeito, Ademar Traiano. Disse: "Olha, Traiano, eu moro em Curitiba, tenho bastante amigos, parcerias, e tenho minha família muito grande no sudoeste e em Santo Antônio e quero te ajudar com votos, trabalho, e preciso trabalhar desde já". E ele me colocou para trabalhar na campanha dele, comecei a trabalhar, ele virou deputado em 1990, assumiu a Assembleia Legislativa, e eu fui trabalhar com ele. Bati correspondência, fazia datilografia no gabinete batendo cartão de visita, cartão de aniversário. Aí, logo mais, comecei a pegar experiência na Assembleia, cuidei da assessoria parlamentar dele no plenário. E depois me tornei chefe de gabinete, o mais novo do Paraná, na época. O Aníbal Khury meio que tinha que sacramentar os chefes de gabinete, tinha que ser mais velho, tinha que estar interagindo com ele. Eu fui ao contrário de tudo e virei chefe de gabinete, atendia mais de 40 prefeitos na época, vereadores, e dava conta do gabinete assim. E continuei minha faculdade. Em julho de 1998 eu me formei, o Traiano se reelegeu em outubro daquele ano e eu pedi as contas. Eu falei: "Traiano, aqui eu cheguei no meu limite. Eu, daqui, ou viro deputado, ou não viro mais nada". Mas aquilo é uma ilusão. Você está muito próximo do poder, ganha bem, mas gasta-se bem, porque tem de andar bem vestido, tem de ir a eventos, restaurantes, tal, e é uma ilusão de vida. Eu disse: "Não quero isso para mim, já sou advogado, já tenho OAB, e vou cuidar da minha vida". Voltei para o interior, para minha cidade, Santo Antônio do Sudoeste, abri meu escritório e trabalhei. Aí abri outro escritório em Cascavel, depois outro em Foz do Iguaçu, outro em Curitiba.

FOLHA - Na política, já exerceu algum cargo?
Bandeira - Eu saí do gabinete do deputado, fui para a minha cidade e, em 2002, fui candidato a deputado estadual. Para não apoiar o Traiano, na minha região tinha o Caíto (Quintana), candidato a deputado também, e disse: "Não vou votar para nenhum desses aí. Não tenho coragem de votar neles. Vou ser candidato". Fui candidato pelo PRP, na época, não me elegi, claro. Fui numa eleição sozinho. Fiz uma dobrada com um deputado de fora, (José Carlos) Martinez, foi o único que consegui dobrar. O Martinez foi o único cara que me atendeu e acreditou, fiz 650 votos para o Martinez no Sudoeste, ele ganhou do Cassio Taniguchi por 50 votos, foi eternamente grato a mim, mas acabou morrendo. Aí continuei a minha vida. Advocacia. Mas conheci muitos prefeitos, muitos vereadores. O deputado não dava muita atenção, mas eu atendia os caras e hoje esse pessoal está na minha eleição de governador. Assim, a cada eleição, meu escritório vira um comitê eleitoral. Jurídico e político. E isso fiz, nas últimas eleições coordenei a campanha de Foz do Iguaçu de cabo a rabo, desde jurídico ao financeiro, marketing, tudo. No segundo turno fui convidado a coordenar a campanha do Edgar Bueno (PDT) em Cascavel, marketing, propaganda, tudo, ganhamos a eleição, também. E, um ano e meio atrás, eu, na época ainda filiado ao PRP, encontrei por coincidência o nosso presidente nacional do PTC, o Daniel Tourinho, lá em Brasília. A gente conversou sobre o Paraná, falei do meu projeto, e disse: "Eu não acredito mais em políticos de carteira assinada", eu já apoiei Jaime Lerner, Alvaro Dias, Beto Richa e não vi resultados. Os caras não têm sentimento, porque política tem que fazer com sentimento, ouvindo as pessoas, fazer como faço com minha advocacia. Tem que advogar e pegar o processo para você, não pode ser frio. Falei isso para ele (Tourinho), quero ser o candidato a governador, e ele disse: "Dou o partido lá no Paraná". Inclusive, o presidente era o Ulisses (Sabino, candidato a vice) e, sem falar com ele, me passou o partido, ele ficou receoso comigo, eu com ele, acabei pegando o partido.

FOLHA - Você já representou quais legendas?
Bandeira - Só o PTC e o PRP. Saí do PRP por um motivo muito simples: tem que ser maçom para estar na executiva estadual e eu não aceitei. Um partido que não te dá oportunidades. Político te dá uma árvore política muito forte, mas faz muita sombra e não deixa ninguém crescer embaixo. E eu acho que político tem que ser igual eucalipto, igual a pinheiro americano, tem que subir e deixar que outras árvores venham junto. Infelizmente, políticos do Brasil só acreditam em parentes, filhos, netos e aqui no Paraná é um exemplo: Hauly, Durval Amaral, filho do Requião. Por que filho deles? Será que não tem companheiro que pode ser político? Nós chegamos a ter dois senadores da mesma família no Estado, isso é um absurdo! Será que não tem pessoas competentes para serem senadores da República que não sejam os Dias (Alvaro e Osmar)? E, assim, vira tipo um feudo, dentro de casa, só sobrenome, então é preocupante isso e é isso que quero fazer. Quero ser governador do Estado, com meu vice Ulisses, que é guerreiro, trabalhador, aqui de Londrina, da frente dos camelôs. E quero ser governador assim. Estou no PTC também por essa conversa que tive com o presidente nacional e por me identificar com o trabalho e cristão que eu sou, meu pai é ministro da igreja, me criei com primeira comunhão, crisma, indo à missa todo domingo, e continuo... E acredito nisso, acredito em Deus e temos de prestar contas a Ele e que Ele vai me ajudar nessa caminhada.

Imagem ilustrativa da imagem ‘Tem muito comissionado sem fazer nada’
| Foto: Saulo Ohara



FOLHA - O senhor responde a uma ação penal de receptação de carga, falsificação de documentos públicos e particulares, estelionato e chegou a ser preso preventivamente em 2007. Como está esse processo?
Bandeira - Parado desde 2007 porque não tem provas. Na verdade, é assim: eu falei que sou um cara que busca muito o processo para mim. No processo criminal, você anda numa linha muito tênue entre a legalidade e a ilegalidade. Porque, por exemplo, me ligava um cliente: "Tulio, prenderam um caminhão meu carregado de cigarro do Paraguai". Eu atendo ou não atendo essa ligação? É crime ou não é crime? É muito tênue, mas a defesa tem que ser feita. Eu tinha briga com o promotor da minha cidade, tenho, há 20 anos. Porque ele protege pessoas, senta em cima do processo, fiz várias representações no Ministério Público contra ele. E é o seguinte: aí, veio um juiz para minha cidade e, por causa de um júri de um cliente, numa audiência, acabei tendo uma encrenca com o juiz. Por causa de outro cliente, acabei brigando com o delegado. E eles criaram um complô inteiro, criaram uma operação fantasiosa chamada "Operação Sudoeste", onde grampearam todos os meus clientes, pediram a prisão nossa, de todo mundo, por causa dos meus clientes, a maioria – eu não advogada nem para padre, nem para santo – tinha problema realmente, foram presos, responderam processo, saíram. Eu advogava para todos eles, provei, no dia da minha audiência, que começou às duas da tarde e terminei meia-noite. Disponibilizei quebra de sigilo. Então, é um processo que não deu em nada. Tinham prendido meu pai. Meu pai, quando a Polícia Militar foi ouvida, perguntaram: "O que o 'seu' José fazia no escritório do doutor Tulio, ele era visto todos os dias?". "Ele era visto lá." "Mas o que ele fazia?" "Não sei, ele era visto lá." O meu escritório, na minha cidade, é num prédio do meu pai. Ele mora em cima e meu escritório é embaixo. Meu pai é aposentado. O que um pai aposentado faz? Nada! Ele descia para tomar chimarrão, conversar no meu escritório. Minha irmã trabalhava comigo, era estagiária de Direito. Fazia Direito em Francisco Beltrão. Na operação deles, na configuração deles, ela seria minha cúmplice. Meu irmãozinho tinha 14 anos, diz que era um grande hacker, "hackeava" contas, "hackeava" tudo. Nada, nada provado. Não existe nada.

FOLHA - O senhor disse que "está de saco cheio de tudo que tem aí". Esse ano o PTC decidiu sair com chapa pura na majoritária e proporcional, mas, em 2010, apoiou o Beto Richa (PSDB). Este ano, o PTC nacional apoia, também, o PSDB. Por que essa mudança de planos no Paraná? Qual a avaliação da participação do PTC no governo do Beto?
Bandeira - Em 2010, eu não estava no PTC e não era presidente. Quem era presidente era o Ulisses e o que ele fala? Ele foi companheiro do Beto Richa, estruturou a campanha do governador aqui em Londrina, o (Luiz) Bárbara junto, os vereadores, enfim, todo mundo trabalhou em prol do Beto Richa e o Beto Richa abandonou Londrina e não deu mais satisfação. Não falou nunca mais com eles. Esse é um motivo que também me levou a ser candidato a governador, essa experiência que eles tiveram. Eu sou do interior, sou agricultor, sou pecuarista, sei plantar, sei colher. Acreditamos que temos como contribuir para o Estado, porque o Estado não pode ter um governador frio. Governar é uma tarefa difícil, às vezes tem que abrir mão de muita coisa, da família, de uma bebida, de um churrasco, de uma festa, de uma viagem de fim de ano, para governar. E eu acho que nenhum dos nossos candidatos que estão aí tem essa possibilidade de abrir mão, de governar com verdadeiro afinco e com a responsabilidade que tem que ter com o Estado. E eu me identifico com isso, eu posso abrir mão dos meus escritórios, que hoje estão andando sozinhos, meus advogados, meus irmãos, os três são advogados, vão estar trabalhando no jurídico dos meus escritórios, não vou levar ninguém para o governo como governador, não vou levar nem um parente, todos têm outros afazeres.

FOLHA - O senhor diz que é cristão, mas no Brasil tem três partidos com cristão na composição do nome: além do PTC, o PSC e o PSDC. O que diferencia essas três legendas?
Bandeira - Todos têm compromisso com o cristianismo. Estado laico, cristianismo, é o que diz o estatuto do partido, compromisso social, que eu acho que é isso que a religião fala. Eu me identifiquei como cristão mesmo, acho que esse é um partido que... meu pai, minha família, minha criação mesmo é disso, meus companheiros, meu amigos, entendeu? Então, eu, cristão que sou, acho que me identifiquei bem. E também juntou o útil ao agradável. Eu tenho compromisso com o trabalho, sou trabalhador, homem da mão calejada do campo, um empresário, pessoa que acorda cedo e dorme tarde. Então, me identifiquei totalmente no partido: trabalhista e cristão.

FOLHA - Agora, como fica a laicidade do Estado com um partido que é assumidamente cristão?
Bandeira - O meu vice, para se ter uma ideia, é evangélico, que eu acredito que é cristão também. Ele também é cristão, também acredita num Deus, como eu acredito.

FOLHA - Mas existe a umbanda, existe o islamismo...
Bandeira - Eu acho o seguinte: tem que ser cristão e acreditar num Deus. Acho que a maior essência do partido é isso. Acreditar num Estado laico, acreditar que existe o Deus. Existem templos, denominações religiosas, mas tem que acreditar em Deus. Eu acho que todos acreditam num ser, menos os ateus que não acreditam em Deus. Então, acho que a abertura, a pluralidade que o partido dá no cristianismo, acho que é isso: o meu vice no partido é evangélico, é pastor na Assembleia de Deus.

FOLHA - No caso de uma vitória, como fica a governabilidade de um PTC, nanico e que se lançou sozinho?
Bandeira - Igual a qualquer outro partido grande. Igual. Já falei no início da minha entrevista: coligação grande tem o reflexo de custo grande, loteamento de cargos e secretarias desnecessárias. Você governa com o povo e governa com a Assembleia Legislativa; e governa com nossos deputados federais; e governa com nossos deputados. Então, vou escolher bem meus secretários, pessoas competentes e comprometidas. Com os deputados na Assembleia Legislativa, tenho um ótimo relacionamento, já trabalhei lá, conheço a maioria dos deputados, a maioria dos candidatos e dos novos que virão. Eu vou encaminhar projeto para eles. Acredito que vão ser todos favoráveis ao projeto de renovação do Estado, enxugamento da máquina pública, diminuir as secretarias, hoje são 29 secretarias no Estado. Vou diminuir para 12. Tem que cortar isso. As coisas funcionam, a roda está inventada, não precisa fazer uma roda nova, precisa arrumar a roda para ela andar bem. Sou contra coligações desse tamanho que são feitas, 15, 20 partidos, tinha que ser no máximo três, para não acontecer isso, venda de cargos. Tem muito cargo no governo hoje de comissão de gente que não faz nada, muitos conselhos do Estado que tem gente que só recebe, porque é compromisso com o A, com o B. Tem mais de 2.400 cargos de confiança hoje no Estado para pagar compromisso com gente que não tem compromisso com a administração e com o Estado. Eu acho que a gente toca o Estado com 800 cargos de comissão. Cargo de comissão é uma coisa importante, são pessoas da sua confiança, que vão estar lá brigando por você, mas você pode fazer mais com menos.



FOLHA - O senhor falou das coligações de grandes partidos, tem adversário com 17 coligados e tudo mais. Hoje temos aí 32 partidos, o PTC, por exemplo, começou com representação na Câmara Federal, mas, no decorrer do mandato, perdeu os deputados. Dizem que um número alto abre espaço para partidos de aluguel. O senhor acha que há muito partido no Brasil?
Bandeira - Primeira coisa: como se cria um partido? Com assinaturas do povo, da população. Mas, tem muita gente que assina para criar um partido e não sabe nem o que está assinando. Esse é o alerta que acho que tem de ter na legislação brasileira, inclusive dos políticos. A Marina Silva tentou criar um partido político e não conseguiu, mas não conseguiu no tempo hábil. Se tivessem dado mais uma semana para ela, conseguiria. Porque o pessoal vai para a rua XV de Curitiba, para o calçadão de Londrina, com uma prancheta e diz: "Assina aqui, assina aqui", todo mundo assina e nem sabe o que está assinando. Pode ter certeza, se for conferir as assinaturas para criação de partidos no Brasil tem gente que assinou com todos. Então, o primeiro critério é esse, tem que fazer esse alerta à população. Criar partido é muito sério, cria-se uma instituição, cria-se um gasto público, porque tem o fundo partidário, que esse partido, a partir do momento que é criado com representatividade, milhões de assinaturas, ele tem direito a uma cota partidária do fundo do partido, se tiver representação (na Câmara Federal) ele vai aumentando essa cota, essa é a responsabilidade. Isso tem que ser alertado à população. Acho que realmente são muitos, a população não suporta tantos partidos no Brasil, mas, infelizmente, o sistema está aí e temos que tocar com o que tem. Mas esse é um alerta que eu inclusive quero dar para os candidatos a deputados federais a rever isso, porque também é uma bola de neve que vai explodir. Não vamos aguentar suportar essa carga de partidos e partidos e partidos e nós pagando a conta.

‘Tem muito comissionado sem fazer nada’
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FOLHA - Mas o senhor mesmo aceitou um partido nanico...
Bandeira - Pois é, mas, para entrar, como eu faço? Eu tenho de entrar por algum lugar, um partido. Não posso ser candidato a nada sem um partido político. Então, tive que entrar, mas a minha declaração, o meu sentimento, é que isso aconteça, que num futuro breve esses partidos sejam diminuídos e a gente consiga fazer uma política partidária diferente no país.

FOLHA - As campanhas no Brasil são consideradas caras e muitas das coligações são formadas para arranjar financiadores. O PTC, como partido pequeno, encontra dificuldade para obter financiadores?
Bandeira - Toda. Nosso único material de campanha até agora é esse aqui (santinho) e mídia social na internet, que não custa quase nada. Eu declarei na internet R$ 1 milhão, que são recursos meus, não tenho nenhum financiador de campanha, não vou ter nenhuma empresa que vai me dar dinheiro. Tive promessas, mas é aquela história, você tem que aparecer na pesquisa, tem que não sei o quê, sabe, e não adianta. Não vamos de enrolação, acho que temos de fazer uma campanha com realidade, com o pé no chão, por isso estou percorrendo as mídias e estou fazendo o possível para chegar ao eleitor. Me convidam para briga de galo, eu vou, se me convidam para dar discurso para comunidade evangélica, eu vou, para trabalhador rural, eu vou, onde eu tiver convite para mim, que tenha gente, não importa o lugar, eu vou. E vou falar, vou levar meu recado, minha mensagem, é isso que estou tentando fazer. Não existe recurso, não tenho recurso da nacional, não existe recurso de lugar nenhum. Essa história de que ganha dinheiro de fulano, de beltrano, eu nunca vi em política e eu, na política, sempre gastei. Por isso sou a favor do financiamento público de campanha, você vai declarar o quanto vai gastar e vai comprovar, porque hoje é uma grande mentira a prestação de contas eleitoral. Os candidatos prestam o que querem, o que passa pela conta corrente. O que não passa não tem como comprovar e o TSE não fiscaliza, nem o TRE.

FOLHA - No seu plano de governo, o senhor fala da ampliação da rede de pronto-atendimento, do Samu, das polícias, da ampliação do ensino integral, entre várias melhorias. Mas tudo isso demanda investimentos para contratação de pessoal. O governo do Paraná está no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Quais estratégias para colocar em prática esse plano de governo?
Bandeira - Já falei anteriormente: de 2,4 mil cargos de confiança, vou trazer para 800. Vou economizar, vai baixar os índices, vai baixar os custos e eu vou estar dentro da lei. E vai sobrar dinheiro e vou poder investir. Muito simples, gestão administrativa séria, competente e responsável.

FOLHA - Ainda no plano de governo, o senhor fala do início de atendimento entre médico e paciente por meio virtual, a Telemedicina. Quero saber como funcionaria, com o alcance da internet existente hoje no Paraná.
Bandeira - Hoje no Estado, temos uma companhia de informática estadual, a Celepar, que é muito mal usada. Uma grande estrutura, com todos os equipamentos de última geração, muito mal usados. Ela pode ser provedor de internet do Estado inteiro, como de escolas, ser provedor dos hospitais, enfim, todo serviço público do Estado ela pode atender. E não faz e o Estado compra da privada. Então vou botar a Celepar para trabalhar e vou parar de pagar a terceirizada. Ela pode fazer todo serviço de telefonia do Estado, que gasta mais de R$ 15 milhões, R$ 16 milhões por mês com telefone celular e telefone fixo. A Celepar pode fazer isso a um custo bem reduzido. A Celepar pode fazer esse serviço de servidores dos hospitais e fazer a telemedicina através da internet, através de telefonia. Não precisa ter um médico especialista hoje aqui em Londrina. Eu posso contratar um serviço lá em São Paulo, um especialista, que vai me dar o laudo à distância via internet. O exame é feito aqui em Londrina, na hora passa via on-line para ele lá. Porque, qual a diferença entre ele olhar aqui o exame no consultório e olhar lá em São Paulo? Ou lá em Curitiba? Ou a máquina estar no interior de Londrina, nos municípios vizinhos, e o médico estar aqui, fazendo isso através da Celepar, de um sistema de informática, e o sistema estar concentrado aqui? Isso é fazer telemedicina, fazer medicina à distância. "Laudar" a longa distância é muito mais rápido, muito mais prático.

FOLHA - O Estado do Paraná foi o último a formalizar a Defensoria Pública, mas encontra problemas...
Bandeira - É financeiro. É falta de gestão e financeiro. Não tem gestão para fazer, não sabe fazer e não quer. Porque, quando não quer fazer alguma coisa, não adianta eu te forçar. Primeiro que não entende, não sabe o que é uma realidade de uma Defensoria Pública. Nenhum desses candidatos, nem Roberto Requião, nem Beto Richa, nem Gleisi, nem ninguém sabe o que é uma pessoa estar numa cidade do interior precisando de uma defensoria pública, de um preso dentro de uma cadeia precisar de um defensor público, de uma mãe de família que precisa fazer a separação dela, que está apanhando do marido, que precisa acionar, fazer um divórcio litigioso de graça. Ninguém sabe o que é fazer isso. Eu sei, já fiz muito dativo, tenho muitos dativos a receber do Estado, fiz muito de graça e não recebi, está na fila para receber e nem explicação o Estado não te dá. Então, o Estado é incompetente. Nós vamos implementar a Defensoria Pública.

FOLHA - Quais seus planos de investimentos na Defensoria?
Bandeira - Eu vou captar recursos primeiro de outras áreas que vou economizar. Mas vou fiscalizar a Defensoria Pública. Eu sei de defensor público que está há mais de 20 anos no Estado ganhando alto salário sem trabalhar. E isso vou cortar no meu governo, vou fazer uma verdadeira gestão eficiente. Eles têm que trabalhar. Hoje é muito processo eletrônico e eles têm que comprovar que realmente estão trabalhando.

FOLHA - O Gaeco, por missão, precisa atuar de uma forma independente, sem interferência do governo estadual, embora no Paraná existam notícias que vão contra esses preceitos. Da mesma forma, existe uma interferência política nos tribunais de contas e o do Paraná não é diferente, considerado um dos principais problemas no combate à corrupção. Que análise o senhor faz?
Bandeira - Primeira coisa, está na nossa Constituição que os poderes são livres e harmônicos entre si. Têm que se respeitar, têm que se relacionar.

FOLHA - Mas conselheiros do TC, por exemplo, são nomeados pelo governo, pelo Executivo...
Bandeira - Aí que está o erro. Eu, até agora, não consigo entender os tribunais de contas. São aparelhamentos políticos também, tornam-se os órgãos que ficam elegendo famílias. Deputado vira conselheiro em troca de favor político e apadrinhamento político. Então, acho que isso tem que acabar no Estado, sou contra isso, sou contra os tribunais de contas. Hoje existe um órgão fiscalizador, os controladores, que nada mais é que o servidor que responde por atos de improbidade se não fiscalizar. Por que precisaria fiscalizar? O Tribunal de Contas não é um tribunal legalizado. Ele não tem poder de punição, porque só encaminha para o Judiciário, através do Ministério Público, através da Polícia Civil, da Câmara de Vereadores, que fiscaliza as contas de prefeitos. Então, acho que é mais um complemento para se gastar. Essa é minha opinião sobre os tribunais, mas isso foi criado via lei federal, então, devemos dar o encaminhamento aos nossos deputados para que seja resolvido esse problema.

FOLHA - E o relacionamento com o Gaeco?
Bandeira - Eu, como disse a você, acho que tem de ser harmônico o relacionamento. Acho que a gente tem que se relacionar, mas não posso interferir no trabalho da polícia. Eu, mesmo como governador, eu já disse, tem que ter coragem. Não posso querer proteger um vereador, ou pedir para a polícia não prender. A mesma coisa com o Gaeco. Se tiver crime, se tiver indícios, se tiver ilegalidade, se tiver provas, o Gaeco tem de agir. Tem que trabalhar, tem que produzir provas, mas sem politicagem. E outra coisa: não punir antes de investigar. Porque, muitas vezes, as pessoas são punidas antes mesmo de ser investigado e de ser processado. Acho que esse também é um papel da imprensa muito importante, não punir antes. O nosso sistema jurídico do país diz que ninguém será condenado enquanto não tiver sentença transitada em julgado.

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