Telemarketing vira arma na campanha
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sábado, 19 de setembro de 1998
Patrícia Zanin 
Prepare-se para uma avalanche telefônica. A duas semanas das eleições, os candidatos pretendem intensificar o uso do telemarketing e inundar as casas com pesquisas sobre a intenção de voto do eleitor, além da divulgação de seus nomes. Especialistas em campanhas dizem que o telemarketing pode ser considerado a nova arma deste pleito e a tendência é que seja irreversível nos próximos, por dois motivos: a expansão da telefonia aliada à profissionalização das campanhas.
Coordenadores de campanha também afirmam que não seria exagero prever que as pesquisas devem atingir os usuários dos 110 mil terminais telefônicos de Londrina. Para candidatos mais abonados, o alvo é o número de telefones do Paraná - cerca de 1,6 milhão. O telemarketing está sendo usado para pesquisas qualitativas e de orientação à campanha. Inclui difusão do nome do candidato e consultas de opinião.
A coordenação de campanha do candidato a deputado federal José Janene (PPB), por exemplo, espera fechar o mês completando 100 mil ligações em Londrina e região. Assad Janani, que coordena a campanha do irmão Janene, disse que começou o trabalho em julho pesquisando a memória do eleitor. Nas pesquisas seguintes, perguntou sobre os problemas que o cidadão considerava graves, sem citar o nome de candidato. Os principais problemas viraram bandeira de campanha. A seguir, perguntamos se ele achava que os políticos eram os mais indicados para resolvê-los. Isso para aferir a confiabilidade, detalhou. O nome do candidato só passou a ser incluído em agosto.
Para Ivan Canziani, coordenador da campanha do irmão Alex Canziani (PTB) a deputado federal, o telemarketing é uma ferramenta a mais. Não dá para se iludir que só isso basta. É preciso investir em mídias diferentes para atingir e impactar o eleitor. Segundo ele, as telefonistas contratadas fazem, em média, 2 mil ligações/dia. E não é simplesmente sair telefonando. Tem que ter foco, alega. Canziani destaca que o marketing por telefone pode ser usado de várias formas, incluindo o aviso para comícios. O resultado é instantâneo, afirma.
O candidato a deputado estadual Hermes da Fonseca (PT), de Cornélio Procópio, também recorreu ao telemarketing para incrementar a campanha. Ele se diz satisfeito com os resultados. A campanha é curta e uma loucura. Se não tivermos acesso a alternativas como essa fica muito mais difícil, diz. Fonseca ainda não tem um levantamento do número de ligações, mas explica que sua equipe prioriza municípios de apoio à sua candidatura.
O economista Celso Costa, da empresa Celta System, desenvolveu programas de computador na área de telemarketing e processamento geográfico e vendeu para candidatos do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ele garante que o custo é baixo, se comparado ao benefício - o programa mais simples custa R$ 2 mil e o mais sofisticado pode chegar a R$ 25 mil. Costa estima que o candidato que contrata dez telefonistas, por exemplo, paga, em média, R$ 2,5 mil mensais, considerando o salário médio de R$ 250,00. Tem a conta, mas o investimento compensa, afirma.
Para ele, o telemarketing é uma ferramenta importante na campanha, principalmente para monitorar opinião do eleitor e medir o trabalho e a eficiência dos cabos eleitorais. Tem candidato que já não dorme sem saber os resultados das pesquisas, afirma. Celso Costa explica que o candidato determina panfletagem em determinado bairro e depois, através da checagem por telefone, verifica se o material chegou até as mãos do eleitor. Usuários do serviço remanejaram equipes e ampliaram a difusão dos nomes dos candidatos depois de avaliações como essa.
Para Costa, o telemarketing pode ser considerado a nova arma deste pleito e seu uso deve ser disseminado não só nas próximas campanhas majoritárias, mas também no pleito para as prefeituras. A gente que já trabalhou em outras campanhas vê que não é mais possível atuar com amadorismo, diz o economista, que foi presidente do PT de Londrina, mas garante que não dá conselho político. Negócio é negócio, mesmo porque vendemos os programas para candidatos das mais diversas siglas. Do PFL ao PT, explica.


