A Sercomtel é uma empresa viável, saudável e praticamente sem dívidas, mas precisa urgentemente – até o final de setembro – de um aporte dos sócios no valor de R$ 7,25 milhões. Este é o resumo do que defenderam o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, e o presidente do Conselho de Administração da empresa, Carlos Alberto Adati, em audiência pública na noite da última sexta-feira para cerca de 100 pessoas.

Eles voltaram a explicar que o investimento na Sercomtel seria para regularizar o fluxo de caixa, sob pena de suspensão de pagamentos a fornecedores e funcionários, e esse desequilíbrio econômico-financeiro gera o risco de intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

"O processo poderia ter começado antes, mas o resultado dos trabalhos para redução dos gastos e da diminuição do montante do aporte demorou um pouco", afirmou o prefeito, lembrando que inicialmente a telefônica pediu aporte de R$ 47 milhões, reduzido para R$ 30 milhões (apenas metade seria concedida agora).

Schneider disse que até o final desta semana o projeto prevendo o aporte do município (em terrenos) deve ser encaminhado à Câmara. "Como estamos conversando com os vereadores e com a sociedade antes, acreditamos que será um projeto consensual e haverá tempo hábil para ser votado na Câmara. Mas se ainda houver dúvidas, vamos discutir." Tanto Kireeff quanto Scnheider disseram que caso a Câmara não aprove o investimento, a cidade – incluindo vereadores – teria de pensar em um "plano B".

Os R$ 7,25 milhões viriam em dinheiro da Copel, sócia da Sercomtel desde 1998 com 45% das ações ordinárias. A prefeitura, por não ter recursos para este finalidade, aportaria aproximadamente R$ 8,25 milhões (equivalente aos 55% de suas ações), porém, em terrenos. "Na ata da reunião de acionistas ficou consignado que se a prefeitura fizesse o aporte, ainda que com terrenos, a Copel também o faria", garantiu o prefeito. Inicialmente seriam destinados duas áreas na Gleba Palhano (zona sul), mas, segundo Kireeff, os terrenos exatos ainda não estão definidos.

Com o investimento, o presidente da Sercomtel espera que a companhia esteja saneada e pronta para discutir seu futuro – uma possível venda parcial com transferência do controle acionário à iniciativa privada, conforme estudo de viabilidade da empresa divulgado recentemente – a partir de julho de 2014.

Entre 2003 e 2012, a Sercomtel acumulou prejuízo de R$ 103 milhões, sendo R$ 65 milhões apenas no ano passado. Para Schneider, o problema começou ainda em 1996, com a abertura do mercado de telefonia. "Faltou aos administradores se adaptar ao novo modelo competitivo", disse, lembrando também que a empresa foi "desfalcada" ao longo de mais de uma década, fazendo anúncios publicitários e patrocínios duvidosos e pagamentos indevidos de gastos para a prefeitura (por exemplo, poda de árvores).


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