BRASÍLIA - O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) conseguiu ontem assinaturas suficientes de parlamentares para criar uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento. O pedetista conseguiu o apoio de 27 senadores e de 250 deputados para a CPI.
O Palácio do Planalto já pressiona para que parlamentares governistas retirem suas assinaturas antes que o requerimento para criação da CPI seja lido no plenário do Senado. O presidente Fernando Henrique Cardoso considera que a instalação da CPI poderia paralisar os trabalhos do Congresso e inviabilizar a aprovação da emenda da reeleição no curto prazo. É justamente esse o objetivo das oposições.
O requerimento assinado pelos parlamentares solicita a instalação da CPI para investigar a denúncia de corrupção passiva na Comissão de Orçamento feita pelo ministro do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Gustavo Krause. O líder do PTB na Câmara, Pedrinho Abrão (GO), foi acusado de exigir uma propina de 4% para manter no Orçamento da União a verba de R$ 42 milhões para a barragem do Castanhão (CE).
O senador Júlio Campos (PFL-MT) conseguiu 21 das 27 assinaturas de senadores. Ele é o maior adversário político do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), justamente o relator-geral do Orçamento da União. Assinaram a lista senadores governistas como Carlos Wilson (PSDB-PE), Lúdio Coelho (PSDB-MS), Geraldo Mello (PSDB-RN), José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR) e Ney Suassuna (PMDB-PB).
Acareação - A acareação entre Pedrinho Abrão e o empreiteiro Alfredo Moreira, da construtora Andrade Gutierrez, durou mais de uma hora. Frente a frente com Moreira, o deputado Abrão chegou a chorar e negou que o conhecesse. O empreiteiro, que havia prestado depoimento na véspera, confirmou que esteve no gabinete de Pedrinho Abrão e este tentou receber dele uma comissão para que a verba destinada à obra da construtora fosse garantida no Orçamento.
Apesar de os dois terem dado declarações contraditórias, alguns pontos do depoimento reforçaram as convicções dos integrantes da comissão, que acusam o deputado. Moreira descreveu em parte o gabinete pessoal de Pedrinho Abrão, local onde teria sido feita a tentativa de extorsão. ‘‘Eu nunca vi aquele indivíduo em toda a minha vida’’, sustentou Abrão.

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