Brasília - Até mesmo técnicos do Palácio do Planalto avaliam que o governo exagerou na dose ao conceder reajustes salariais tão generosos quanto os embutidos nas últimas medidas provisórias. Um interlocutor da Casa Civil classifica como contradição inexplicável, referindo-se ao fato de o Ministério do Planejamento ter proposto lei em 2007 limitando o aumento dos gastos de pessoal a apenas 1,5% ao ano acima da inflação.
Em menos de dois anos, a regra ainda não aprovada pelo Congresso está desmoralizada pelo próprio Executivo. A confirmarem-se as projeções, despesas de pessoal pularão de R$ 105,5 bilhões em 2006, antes da apresentação da proposta, para R$ 155,3 bilhões em 2009. Em três anos, projeta-se expansão da folha de pessoal de 23,1% acima da inflação estimada, quando o limite proposto era de 4,6%.
Para integrantes da Casa Civil, onde as MPs são analisadas, a bola de neve foi lançada quando o governo cedeu à greve dos auditores da Receita, que terão salários elevados até R$ 19.451 mensais.

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