Técnicos de informática entram na investigação do caso Copel
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sexta-feira, 08 de agosto de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Técnicos em informática vão ajudar as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os contratos firmados pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL). A sub-relatoria que analisa a compra de créditos tributários da empresa falida Olvepar pretende convocar pessoal especializado para elucidar detalhes apresentados por uma auditoria feita pela atual gestão da Copel sobre o caso.
A auditoria apresentou arquivos do contador Cezar Bordin, ex-gerente contábil da Copel. De acordo com o deputado Tadeu Veneri (PT), sub-relator da CPI, Bordin tinha uma planilha com a divisão do valor negociado entre a Copel e a Olvepar. O arquivo, de maio do ano passado, estimava o valor da negociação em R$ 57 milhões. ''A compra dos créditos só não foi concluída em maio porque o Lucena (João Manoel Delgado Lucena, ex-diretor da coordenadoria da Receita Estadual) deu parecer contrário'', disse Veneri. A operação foi concluída em dezembro do ano passado, quando a Copel pagou R$ 39,6 milhões pelos créditos da Olvepar.
A transação entre Copel e Olvepar é alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) do Paraná, que corre na Justiça. O MP também pediu a responsabilização criminal de oito acusados de envolvimento na operação fraudulenta, entre eles o ex-presidente da Copel e ex-secretário da Fazenda Ingo Hubert.
Outro dado da auditoria que impressionou Veneri foram e-mails que teriam sido trocados entre Bordin e a funcionária do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Desirée Fregonese, que deu parecer favorável à operação. Ela trabalha na 6 Inspetoria do TCE, responsável por analisar as contas da Copel. ''O Bordin informa que está mandando os documentos da empresa Rodosafra e qualificação do Luiz Sérgio da Silva, que não teriam que aparecer na negociação entre Olvepar e Copel'', observou Veneri. Silva é um dos sócios da Rodosafra, empresa que comprou parte de ativos da Olvepar. Tanto a empresa quanto o empresário teriam recebido dinheiro indevidamente da negociação.
Veneri disse que a convocação de Desirée e dos conselheiros Rafael Iatauro, ex-presidente do TCE, e Heinz Herwig, da 6 Inspetoria, poderiam esclarecer as investigações da CPI. No entanto, o presidente da CPI, Marcos Isfer (PPS), disse que a comissão decidiu que a convocação não é necessária. ''O Tribunal de Contas dá parecer em tese. Não é pelo parecer que a operação foi feita'', declarou. Segundo ele, a possibilidade de troca de e-mails entre Bordin e a funcionário do TCE precisa ser melhor investigada.


