Brasília- O presidente Fernando Henrique Cardoso poderá ser surpreendido pelos números a serem apresentados em breve pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, após o reexame do Orçamento Geral da União para 2002. Apesar de a proposta orçamentária aprovada pelos parlamentares nos últimos dias de 2001 conter mais despesas que receitas, técnicos da área econômica do governo esperam que a arrecadação supere o previsto no texto e ajude a fechar as contas. Caso a previsão se confirme, não será preciso cortar gastos, como teme FHC.
O relator-geral do Orçamento, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), disse ontem que o Planalto não tem motivos para cortar ‘‘nenhum centavo’’ dos R$ 11 bilhões de despesas acrescidas pelo Congresso à proposta original do Executivo. ‘‘Os números não são dramáticos como pareciam no primeiro momento, pois o governo acabará tendo receitas adicionais’’, afirmou.
De acordo com Dória, também não representará um problema o fato de não ter sido aprovada a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores inativos do União, mudança que produziria uma arrecadação extra estimada em R$ 1,4 bilhão. Para aprovar o Orçamento às vésperas da virada do ano, o governo concordou em retirar do texto essa previsão de receita, por julgar ser possível ‘‘adequar’’ as despesas da Previdência.

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