Técnico diz que UEGA funcionou em 2002
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O responsável técnico da empresa norte-americana El Paso na Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), o engenheiro mecânico Celso Pereira da Silva, afirmou que o empreendimento foi entregue à Companhia Paranaense de Energia (Copel), em setembro de 2002, em perfeitas condições de uso. A afirmação foi feita ontem pela manhã durante o depoimento do representante da El Paso na reunião da Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa do Paraná responsável por analisar a mensagem enviada pelo poder Executivo e que pede a autorização dos parlamentares para comprar, através da Copel, as ações da El Paso no capital social da UEGA. A El Paso é detentora de 60% das ações na UEGA. A Copel já possui 20% das ações da usina. O restante das ações (20%) pertence à Petrobras.
A afirmação do técnico foi endossada pelo ex-presidente da Copel Ingo Hübert, que também foi convidado para participar da reunião da comissão. Segundo ele, não só a usina tinha condições de funcionar como o contrato estabelecido com a El Paso era extremamente vantajoso à Copel. Pelo fato da construção da usina ter ficado por conta da El Paso, a Copel teve uma economia de R$ 573 milhões, disse Hübert. Quando entregamos a usina fizemos um teste de 100 horas e conseguimos produzir cerca de 484 megawatts, completou o técnico.
Os depoimentos vão contra o argumento do governador Roberto Requião (PMDB), que no início de 2003, quando decidiu não pagar as mensalidades previstas em contrato à UEGA, disse que a usina não tinha condições de gerar eletricidade. O deputado estadual Durval Amaral (PFL) questinou os motivos que levaram o Executivo a pedir a compra das ações da UEGA. Por que de repente ela se tornou um bom negócio?.
Para o presidente da comissão, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), a compra das ações pode evitar que o governo receba uma multa avaliada em 827 milhões de dólares por quebra de contrato, valor superior à compra das ações da El Paso - 190 milhões de dólares (quantia que coincide com o investimento feito pela El Paso na usina). E ao somar 80% das ações da UEGA, a Copel passaria a ter poder de extingüir a ação judicial referente à multa rescisória movida pela UEGA contra a companhia na Câmara de Comércio Internacional em Paris. A ação, porém, está suspensa atualmente a pedido da própria UEGA e da Copel. O acordo entre as partes foi feito em janeiro.
A informação gerou críticas entre os membros da comissão, que desconheciam tal acordo. Parece que o negócio já se concretizou. E que a Casa só precisa homologar a decisão do governo, disse o deputado estadual Reni Pereira (PSB). O deputado estadual Plauto Miró (PFL) também questionou os motivos que levariam a El Paso a aceitar a venda das ações por um valor inferior à soma do investimento com as mensalidades pendentes da Copel desde 2003, mas o técnico não soube responder a questão. O presidente da comissão informou que todas as perguntas não esclarecidas deveriam ser respondidas por escrito à comissão num prazo de cinco dias úteis.
O técnico da El Paso informou ainda que a UEGA teria que sofrer ajustes de US$ 5 milhões caso tivesse que voltar agora a funcionar. O ex-presidente da Copel acrescentou, no entanto, que há possibilidade de ajustes maiores. Na época que a Copel quebrou o contrato com a UEGA, ela perdeu a cota de gás da Petrobras prevista para a região Sul. Agora talvez tenha que produzir eletricidade a óleo, o que aumentaria para R$ 50 milhões os gastos com os ajustes na usina, estimou Hübert.


