O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), defendeu o ‘‘voto ostensivo’’ dos integrantes do conselho para o relatório do senador Saturnino Braga (PSB-RJ) sobre a quebra do sigilo do painel eletrônico da Casa. O relatório será votado amanhã. ‘‘Muito mais do que o voto aberto, a sociedade nos pede o voto ostensivo’’, afirmou Tebet ontem de manhã, logo após uma palestra que fez sobre Lei de Responsabilidade Fiscal, promovida pela Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo.
Após sua manifestação, diante de uma platéia formada por centenas de estudantes de Direito, o senador foi provocado pelo professor Régis de Oliveira (ex-vice prefeito de São Paulo na gestão Celso Pitta) a manifestar-se sobre o episódio da violação do painel no Senado.
Esforçando-se para não emitir uma opinião ostensiva, Tebet garantiu que ‘‘a sociedade pode ficar tranquila que o Senado irá cumprir seu dever; a opinião pública terá resposta altamente satisfatória’’, disse. Em tom mais enfático, o senador lembrou aos estudantes que ‘‘as instituições são muito maiores que os homens; os homens passam, elas ficam.’’ Ao final de sua manifestação, Régis fez questão de marcar posição. ‘‘Queremos dizer ao senador que esperamos que o Senado realmente cumpra seu dever e casse o mandatos dos dois senadores (ACM e José Roberto Arruda)’’.
Os estudantes de Direito estão convencidos tecnicamente da culpa dos senadores. Desconfiam, no entanto, da força do Senado para cassar ACM. ‘‘Por todos os dados objetivos que existem, podem ser cassados os dois, mas acho que só o Arruda vai ser punido’’, disse Daniel Balam, de 21 anos, estudante do 2º ano da USP. ‘‘Há elementos para a cassação, mas não sei se os senadores terão força’’, disse Isabel Calich, de 22 anos, que cursa a Universidade Mackenzie. ‘‘Não acredito na cassação porque há possibilidade de um acordo entre o presidente Fernando Henrique e o ACM por causa da CPI da Corrupção’’, observou César Arantes, de 20 anos, da USP.
Os estudantes saíram desconfiados da palestra de Tebet. ‘‘Ele falou que está começando o fim da era da impunidade no País, mas vamos ver o que eles vão fazer na comissão’’, disse Flávia Gatti, de 22 anos, da PUC.

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