O senador Ramez Tebet (PMDB-MS), ex-ministro da Integração Nacional, foi eleito presidente do Senado ontem em uma operação política tão desastrada que, além de não produzir vencedores, gerou desgastes a todos os atores que participaram do processo. Nem o Palácio do Planalto, que deixou impressas suas digitais na sucessão de outro Poder, nem o bloco de oposição, que mesmo fora da disputa amargou a discórdia entre seus membros, escaparam.

''Todo mundo perdeu'', resumiu o primeiro vice-presidente do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), ao salientar que nem mesmo Tebet ganhou. Ele assume o comando da Casa contestado e enfraquecido. O PMDB manteve a cadeira de presidente desocupada desde a renúncia de Jader Barbalho (PMDB-PA), na terça-feira, mas não pode sequer comemorar porque o racha interno foi ampliado.

''Foi um atentado terrorista, um escândalo'', acusou o senador José Fogaça (PMDB-RS), indignado com o governo que liberou um ministro de Estado para enfrentá-lo na disputa interna. ''O presidente Fernando Henrique (Cardoso) não tinha como evitar que um ministro senador disputasse o comando do Senado, nem razões para fazê-lo, porque não há nisso nada que atente contra a democracia ou fira as instituições'', defendeu o coordenador político do governo e secretário-geral da Presidência, ministro Aloysio Nunes Ferreira.

Mas não foi só Fogaça que se queixou da interferência do Planalto. O ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), que acabou desistindo da disputa, e o senador José Alencar (PMDB-MG), que teve apenas o próprio voto na briga peemedebista, também lamentaram a intromissão. Além de confessar a mágoa para com o Planalto, Sarney expôs sua ''profunda decepção'' com o comportamento ''dúbio'' do líder Renan Calheiros (PMDB-AL) e da cúpula partidária. ''Desisti porque não participaria de uma armadilha'', afirmou.

No discurso de posse, a bancada do PFL também se retirou do plenário, como forma de protesto. Tebet foi o presidente do Conselho de Ética no caso da violação do painel eletrônico do Senado, que resultou na renúncia do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ''Confesso que nem vi'', minimizou Tebet. Ele acredita que poderá pacificar o Senado, respeitando as regras e dialogando com os senadores.

mockup