''Sozinha a Prefeitura não tem condições de alavancar um empreendimento desse tamanho, de R$ 40 milhões; existem outras prioridades - por isso, espero que haja essa compreensão dos empresários: que tenham consciência de que têm de ter contrapartidas ao Município.'' A declaração sobre a polêmica envolvendo a área de construção do futuro Teatro Municipal é do prefeito Barbosa Neto (PDT), que, ontem, praticamente chamou à negociação os responsáveis pelo empreendimento do Marco Zero, na Zona Leste da cidade. O local foi definido pela gestão do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) como o ponto para edificação da obra, cujos projetos complementares, avaliados em R$ 1,6 milhão, foram protocolados no último dia 29 no Ministério da Cultura.
Como contrapartida ao Município para que de fato o teatro seja feito no ponto do Marco Zero - outra área em análise é a do futuro Jardim Botânico, na Zona Sul - , o prefeito citou obras de infraestrutura viárias, estacionamento e até um centro de convenções. ''Precisamos saber, de forma muito clara, se o Município vai ser beneficiado, porque o que alavanca esse empreendimento (do Marco Zero) é o teatro. Mas o que a cidade vai receber em troca? O teatro vai sair, espero que na nossa gestão, porém, temos que ter responsabidade na defesa do interesse público e não o particular, de uma empresa A ou B'', afirmou o pedetista, que completou: ''E não adianta dizer que os empresários já doaram parte do terreno para o teatro; é obrigação deles doar 35% para o município''.
Questionado sobre as obras de infraestrutura na malha viária no entorno do empreendimento, e mesmo sobre a construção de um centro de convenções, já previstas no projeto Marco Zero, o prefeito resumiu: ''Isso tem que ser feito paralelamente às obras do teatro. Não quero ser iconoclasta e cortar um projeto que era prioridade do meu antecessor, mas vale lembrar que Londrina já perdeu R$ 10 milhões de emendas ao teatro simplesmente porque projetos não foram apresentados. E como existem hoje outras prioridades - precisamos, por exemplo, contratar 81 profissionais para a Saúde -, não vamos simplesmente alavancar um empreendimento comercial e não ter nenhuma contrapartida em troca. Quero, sim, de forma muito clara, me reunir com os empresários e secretários para saber se vamos ser beneficiados'', anunciou.
Sobre a polêmica que o assunto abriu na Câmara - onde tramitam propostas de transformar o Marco Zero em novo terminal de transporte coletivo, e de proibir a contrução em outro local, que não lá -, o pedetista minimizou: ''Lá é uma casa política, com liberdade para opinar''.
A FOLHA tentou contato com o imobiliarista Raul Fulgêncio, gerente do complexo Marco Zero, mas ele não atendeu as ligações. (J.G.)

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