Curitiba - O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o repasse de recursos para os convênios entre o Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai), sistemas vinculados à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). A determinação ocorreu no final de maio deste ano, após uma auditoria feita pela Secretaria de Controle Externo (Secex-PR), que é um braço do TCU nos Estados.
A auditoria, chamada para fazer o levantamento dos desvios na gestão anterior ao do presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, teria encontrado indícios de fraudes, nepotismo e desvios de outubro de 2003 para cá, já sob a nova administração. O acórdão do TCU apresenta como irregulares uma série de notas fiscais a respeito de viagens, cursos e serviços prestados por empresas.
O presidente da Fiep reagiu às acusações dizendo que não existem pagamentos indevidos no sistema Fiep. Ele próprio já havia determinado a celebração de convênios mais rigorosos. Destacou que não há julgamento do TCU reprovando as contas da atual gestão, ''só conclusões provisórias''. Loures disse que vai entrar com recurso junto ao TCU.
Em relação às viagens, Loures salientou que '' todas as viagens feitas por executivos do Sistema Fiep obedecem a critérios técnicos e as despesas são referentes a compromissos profissionais''. Diz a nota enviada à imprensa que ''cada executivo é especializado em sua área de atuação e viaja, quando necessário, para trabalhos voltados à defesa dos interesses da indústria paranaense, formação, capacitação e melhoria das condições de vida dos trabalhadores da indústria''.
Para Loures, o parecer da Secex/PR foi incompleto e parcial. Para o empresário, o órgão do TCU deveria focar sua auditoria sobre a administração anterior à sua, que durante oito anos foi responsável ''pela subtração de mais de R$ 32 milhões''. Loures disse que foi ele quem desmontou esse esquema com representação junto ao Ministério Público, que recomendou o sequestro dos bens de todos os envolvidos e ajuizamento de ação de reparação de danos.
Para o advogado José Cid Campelo, que representa o espólio do ex-presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, não há julgamento do TCU sobre a gestão de Carvalhinho, como o ex-presidente era conhecido. Ele acredita que, em breve, a Justiça vai suspender a indisponibilidade sobre os bens que cabem à família.

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