Curitiba - O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu estender por mais um ano a indisponibilidade de bens do espólio do ex-presidente da Federação de Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho. A decisão foi baseada na auditoria realizada pelo órgão nas contas do sistema Fiep em 2002 e 2003, que apontam desvios de R$ 16 milhões e aplicações não comprovadas que somam R$ 20 milhões no período.
O rombo nas contas foi denunciado pela própria Fiep quando o atual presidente da federação, Rodrigo Rocha Loures, determinou uma auditoria nas contas da entidade. A denúncia afirma que a Fiep repassava dinheiro ao Instituto Euvaldo Lodi (IEL) para pagamento de bolsistas do Centro de integração de Tecnologia do Paraná (Citpar). O dinheiro, porém, era sacado através de cheques que seriam repassados para Carvalhinho. Além do ex-presidente da Fiep, morto em 2003, estariam envolvidos no esquema o funcionário do Citpar André Sottomaior e o ex-diretor do IEL Ubiratan de Lara.
O relatório do TCU determina o ressarcimento imediato do dinheiro, mas permite aos acusados que apresentem sua defesa antes da execução. O advogado José Cid Campêlo, representante de um dos herdeiros de Carvalhinho afirmou que irá esperar a notificação do tribunal para apresentar sua defesa. ''O espólio já estava bloqueado pela Justiça Estadual. Vou esperar a notificação para elaborar a defesa'', afirmou Campêlo. A Folha não conseguiu contato com Lara e Sottomaior.
O relatório do TCU não se limitou à gestão de Carvalhinho. A atual gestão também está sob investigação. O TCU questiona repasses não justificados de cerca de R$ 820 mil ao Instituto Paraná de Desenvolvimento, presidido pelo próprio Rocha Loures, além de questionar despesas pagas a parentes de Loures.
Em nota oficial, Rocha Loures esclareceu que os questionamentos do TCU sobre gastos em sua gestão são apenas provisórios, uma vez que a prestação de contas oficial ainda não foi concluída e que o TCU não analisou todos os documentos da entidade. ''O acórdão recente do Tribunal mostra que estamos comprovando que não houve nenhum ato ilícito na gestão dos recursos do Sistema Fiep entre 2003 e 2004. De modo geral, a decisão apenas confirmou aquilo que esta gestão já identificara e cujas providências saneadoras já vinham sendo adotadas'', afirmou Rocha Loures. Já foi convocada uma audiência com o TCU para que Loures e outros beneficiários das despesas suspeitas esclareçam a situação.

mockup