O Tribunal de Contas da União (TCU) mandou notificar o ex-prefeito de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) Waldyr Pugliesi (PMDB), deputado estadual eleito, para que ele devolva aos cofres públicos recursos provenientes de superfaturamento na compra de merenda escolar e remédios. A notificação foi publicada no Diário Oficial da semana passada e lhe dá prazo de 15 dias para ressarcir o Tesouro ou apresentar defesa.
Cinco integrantes da comissão de licitação da prefeitura, entre eles o atual presidente da Câmara Antônio de Pádua Tadeu de Oliveira (PMDB) e o responsável por uma empresa que prestava serviços à prefeitura, também foram notificados. No despacho, o ministro relator do processo, Adhemar Paladini Ghisi, elogia a iniciativa adotada pela Secretaria de Controle Externo/PR em apurar as denúncias apontadas pela auditoria feita pela prefeitura.
O prefeito José Bisca (PFL), que determinou a auditoria que constatou o superfaturamento, comemorou a decisão do TCU. ‘‘A Justiça foi feita e os responsáveis pelo desvio de dinheiro público terão de responder por seus atos’’. Ele lembrou que este é o primeiro resultado prático da auditoria e calcula que Pugliesi terá de devolver R$ 600 mil aos cofres públicos.
Em outubro do ano passado, o prefeito e o procurador jurídico João Alberto Graça divulgaram relatórios encaminhados à Justiça, ao MP e ao Tribunal de Contas contendo denúncias de irregularidades contra Pugliesi.
Entre os itens citados nos relatórios estão o superfaturamento na compra de alimentos para a merenda, alvo do processo no TCU. De acordo com a denúncia da prefeitura, foram adquiridos, por exemplo, 11.573 quilos de salsicha a R$ 3,50 o quilo, quando o valor do produto na época era de R$ 1,69. Também foram comprados 250 mil pães franceses a R$ 0,14 cada um, quando o valor era de R$ 0,056. No despacho, o relator disse que a auditoria ‘‘logrou êxito’’.
Pugliesi disse à Folha que ficou sabendo da notificação do TCU através da imprensa. Ele ficou irritado com a decisão. ‘‘Estou enojado porque não sou ladrão de pãozinho. Não devo nada. Estou no meu oitavo mandato, tenho uma vida de combate à ditadura, à corrupção. Você acha que eu vou fazer chuncho para roubar pãozinho?’
Pugliesi disse que vai apresentar defesa ao TCU e comprovar que não cometeu irregularidade. ‘‘Eu já esperava ser perseguido porque eles me denunciaram em todo o lugar. No inferno, para o Papa e até para a 5ª Região Militar’’.
O ex-prefeito disse que o preço do pão foi mais alto do que na tabela do Procon porque o serviço era terceirizado. Segundo ele, a empresa que fazia a distribuição era obrigada a se deslocar nos distritos e localidades rurais. Ele disse que pretende procurar os integrantes da comissão de licitação, também incluídos no processo do TCU, para subsidiar a defesa ao órgão.
Em relação às denúncias da área da saúde, disse que tirava recursos da conta do SUS e transferia o dinheiro para a prefeitura por causa da facilidade da informatização. ‘‘Soou como se eu tivesse pego dinheiro e desviado, o que não ocorreu e eu vou comprovar’’, afirmou.
O ex-prefeito e o atual são rivais. Pugliesi acredita que as auditorias foram feitas por Bisca para prejudicá-lo. O prefeito alega que o resultado das auditorias motivou a criação de três comissões na Câmara para investigar denúncias contra Pugliesi.

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