Curitiba - Alvo de polêmica, a obra de construção do Contorno Norte de Maringá sofreu duas interferências do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2008, quando o contrato com a Sanches Tripoloni foi assinado com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O primeiro acórdão do TCU em relação à obra é de 2010, quando o órgão determinou ao Dnit para reter R$ 2,5 milhões. Haveria sobrepreço do valor referente ao custo do transporte de cimento. Segundo a assessoria de imprensa do Dnit no Paraná, ainda não há decisão final do TCU sobre o assunto.
Outra interferência foi feita em junho último, quando outro acórdão do TCU determinou que o Dnit adotasse providências em relação a irregularidades com ''potencial prejuízo ao erário''. O TCU constatou que ''o projeto executivo foi deficiente'' e que haveria sobrepreço de R$ 10,5 milhões ''decorrente de quantitativos inadequados nas composições de preços unitários de vários serviços''. A assessoria de imprensa do Dnit no Paraná informou que a empresa havia adotado critérios diferentes para estabelecer os preços dos serviços e que, após a interferência do TCU, houve um entendimento, com a redução do valor.
No total, a obra pode sair por mais de R$ 300 milhões. Foram assinadas duas etapas de construção da obra, mas a segunda fase ainda não começou. Na primeira etapa, o custo inicial previsto era de quase R$ 143 milhões, mas a obra acabou saindo por cerca de R$ 197 milhões, devido a um aditivo de aproximadamente R$ 35 milhões e mais um reajuste, de quase R$ 19 milhões, no qual se inclui correção inflacionária, por exemplo. Já o custo da segunda etapa da obra deve ser de quase R$ 131 milhões.
A assessoria de imprensa do Dnit do Paraná não comentou sobre a última denúncia envolvendo o órgão, a Prefeitura de Maringá e a empresa de consultoria de Teresinha Nerone. O superintendente do Dnit no Paraná, José da Silva Tiago, está de férias e deve voltar na próxima semana. Tiago é engenheiro de carreira do Dnit e assumiu a superintendência do Paraná em setembro de 2009, por indicação do ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antônio Pagot, que pediu demissão ontem.
No entanto, a assessoria do Dnit em Brasília, comentou que, ''sobre o Contorno de Maringá, embora nos relatórios preliminares de fiscalização do TCU constem achados de auditoria classificados como sobrepreço, não existe em nenhum acórdão, referente a esse empreendimento, qualquer decisão referente a superfaturamento ou estorno de valores indevidamente medidos.''
Sobre a varredura determinada pelo governo federal em todos as unidades do Dnit no País, a assessoria de imprensa da superintendência regional informou que aguarda as instruções de Brasília e que ''deverá continuar trabalhando normalmente''.

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