TCU defende adiamento da reforma política
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Adylson Martins Motta, desaprova a reforma política no momento atual, que tem que ser apreciada e aprovada pelos atuais membros da Câmara dos Deputados. O ministro não acredita que desse parlamento ''sairá boa coisa'' na reforma, porque os deputados estão em fim de mandato e certamente ''não vão querer perder nada e vão assegurar o que puderem em benefícios próprios na reforma''.
Esse foi o recado que o ministro Adylson Motta deu a prefeitos, vereadores e servidores públicos, quando participou do congresso ''Municipal 2005'', encerrado ontem em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Para Motta, o maior problema do país é a impunidade. ''A corrupção só está florescendo em função da falta de leis mais severas'', pregou.
Motta disse que vê com ''profunda tristeza'' a corrupção com dinheiro público no Brasil e atribuiu a falta de impunidade como um desserviço contra a nação. O ministro citou como exemplo a CPI do Banestado, onde a evasão de recursos que ocorreu por Foz Iguaçu foi três vezes e meia a evasão promovida pelos fiscais no Rio de Janeiro e 51% do que saiu por São Paulo. Atingiu US$ 30 bilhões e ''não deu em nada''. ''A CPI foi feita, concluída e ninguém foi para a cadeia'', lamentou.
Motta justificou que o período da Constituinte, em 1988, foi o grande momento perdido para se fazer a reforma política, que ''seria aprovada com mais isenção''. Para o presidente do TCU, a reforma politica tem que adotar uma legislação que assegure a fidelidade partidária e o voto distrital, ''porque os partidos políticos não podem se transformar em balcão de negócios''.
Após a realização de uma reforma eleitoral severa, Motta pregou um sistema eleitoral mais transparente para recrutar as pessoas certas para os locais certos e acabar com a ''promiscuidade dos maus políticos e dos maus empresários''. ''Não podemos mais tolerar a banda podre da política que se alia com a banda podre do empresariado.'' Para o presidente do TCU não existe corrupto se não existir o corruptor e vice-versa.
Para Motta, o País terá governantes mais sérios à medida que os políticos se elegerem dentro de critérios sérios. ''Quem faz uma campanha suja evidentemente não fará um governo limpo, porque vai precisar pagar os compromissos assumidos'', disse. O ministro defendeu o enfrentamento desse problema, que ocorre no País inteiro.
Para o ministro, a falta de bons exemplos no ''andar de cima'' contamina o ''andar de baixo''. Segundo Motta, o que está ocorrendo no País é um exemplo triste. ''O cidadão que paga seus impostos e vê o outro se locupletar com o dinheiro que sai do seu salário ou de sua renda fica revoltado. Certamente, aqueles de personalidades mais fracas vão querer fazer o mesmo'', alertou.


