TCU abre inspeção no Banco Central
Liliana Enriqueta Lavoratti Agência Estado
O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar a operação de socorro do Banco Central (BC) aos bancos Marka e FonteCindam, em janeiro último, durante a mudança do regime cambial. O TCU também vai apurar denúncias sobre vazamento de informações privilegiadas ao mercado financeiro e que teriam proporcionado lucros à maioria dos bancos por terem comprado dólares às vésperas da desvalorização do real.
A inspeção no BC foi determinada ontem pelo ministro Bento Bugarin, dois dias após a sessão plenária realizado pelo Tribunal. O ministro disse que no caso da ajuda prestada pelo BC, o objetivo do TCU é avaliar a legalidade e a legitimidade da venda de dólares a preços abaixo da cotação do mercado alguns dias depois da desvalorização cambial.
O ministro Bugarin informou que já manteve entendimentos com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, senador Bello Parga (PFL-MA), para que a equipe responsável pela inspeção tenha acesso às informações já obtidas pela comissão do Senado Federal.
Segundo Bugarin, os dados já disponíveis para a CPI servirão de subsídio para a apuração determinada pelo TCU, pois vão possibilitar que os trabalhos sejam agilizados. Da mesma forma, o TCU - que é o órgão assessor do Legislativo federal - comprometeu-se em colaborar com a CPI, repassando as informações e análises realizadas pela equipe de inspetores.
A inspeção no BC será feita pelos analistas de finanças e controle externo da 8ª Secretaria de Controle Externo do TCU. Uma outra equipe já está prestando assessoria técnica à CPI do Sistema Financeiro.
GrampoO TCU divulgou ontem a carta encaminhada ao Tribunal pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Resende, e pelo ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. No documento, eles negam que tenham se referido ao TCU como uma mutreta, conforme diálogo entre as duas autoridades captadas em gravações publicadas na imprensa.
Lara Resende e Mendonça de Barros afirmam que jamais tiveram a intenção de se referir ao TCU de forma pejorativa e que a expressão foi intercalada em meio à discussão sobre o que consideravam uma distorção do processo de privatização.
Os signatários dessa carta manifestavam sua compreensão de que o grupo de compradores integrado por aquelas seguradoras (do Banco do Brasil no leilão de privatização da Tele Norte-Leste) seria chapa branca e que a sua ação compradora, com financiamento do BNDES, ainda mais desenvolvida sob o discurso privatista, seria uma mutreta, diz a carta.Investigação quer levantar se socorro a bancos e compras de dólar foram calçadas em informações privilegiadas vazadas
Arquivo FolhaSem intençãoMendonça de Barros: afirmação captada no grampo sobre mutreta não se referiu ao Tribunal e sim a uma operação





