O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Heinz Herwig, solicitou ontem à Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Paraná, a abertura de inquérito para apurar uma suposta invasão ao banco de dados do Sistema de Contas Municipais da instituição.
Ao ser informado da suspeita de fraude ontem à tarde, o secretário Luiz Fernando Delazari, mandou ao prédio do TC, no Centro Cívico, o delegado Eduardo Castela, especializado em crimes dessa natureza, utilizando computadores.
Segundo a diretora de Contas Municipais do TCE, Jussara Gusso, no dia 11, o sistema detectou alterações de dados das vinculações das contas bancárias da Prefeitura de Rolândia, do ano de 2004. ''Houve uma invasão do banco de dados, no programa de sistema de informações municipais que as prefeituras fazem o download. Quando se inicializa 2005, esse programa tem todos os dados de 2004. No caso tinha algum erro e mexeram no banco de dados'', explicou. ''As alterações foram nas vinculações das contas bancárias. Ninguém roubou o dinheiro mas foram alterações como por exemplo, o dinheiro para a educação, que é carimbado, ser trocado para a saúde. Identificamos a alteração quando mandaram as contas do primeiro bimestre. Verificamos o back up e vimos que mexeram nos saldos de 2004'', relatou. De acordo com Herwig, a tentativa de quebra de Regra de Validação do Sistema, é um crime previsto no Código Penal, artigo 315, que pode resultar em pena de 2 a 12 anos de reclusão para os acusados.
Em nota oficial, o prefeito de Rolândia, Eurides Moura (PMDB), classificou como um ''absurdo'' a denúncia ter sido feita à imprensa, sem antes ser concedido o direito de defesa à administração. O prefeito ainda contestou as acusações de fraude. ''Assim que fomos informados de possível irregularidade no envio de base de dados (setor contábil, não financeiro), imediatamente chamamos os responsáveis pelo fechamento do balanço contábil, por sinal uma empresa terceirizada. Esses técnicos entraram em contato com os técnicos do Tribunal de Contas e não houve sequer uma decisão conclusiva da alegada irregularidade'', diz parte da nota.
O prefeito ainda afirma na nota que caso seja constatada alguma irregularidade, irá constituir uma comissão de investigação para apurar o que realmente aconteceu. ''Tenho 33 anos de vida pública, esse é o meu terceiro mandato como prefeito de Rolândia. Nunca tive uma prestação de contas rejeitada pela Câmara ou pelo Tribunal de Contas, e não vou permitir agora que minha honra e minha dignidade sejam atingidas por um erro técnico ou qualquer outra coisa dessa natureza da qual sequer fui informado previamente do que ocorreu'', conclui a nota assinada por Moura.

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