TCE confirma desvios de R$ 100 milhões
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Rafael Iatauro, confirmou ontem que as irregularidades detectadas nas contas da Prefeitura de Londrina nos anos de 1997, 98 e 99 envolvem recursos de mais de R$ 100 milhões, conforme a Folha havia antecipado. As irregularidades aconteceram durante a gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) envolvem recursos de mais de R$ 100 milhões.
Durante o anúncio das auditorias, ontem à tarde, Iatauro não quis afirmar que o montante foi desviado da prefeitura e evitou usar a palavra rombo. Apuramos que foram feitas despesas ilegais, mas não pudemos comprovar se o dinheiro foi parar do bolso de alguém ou quem seriam os beneficiados, justificou.
O Ministério Público (MP) em Londrina comprovou até agora desvios de R$ 16 milhões em Londrina, mas o rombo pode ultrapassar R$ 100 milhões. Iatauro disse que, apesar de não ter sido detectada apropriação indébita, não se exclui essa possibilidade.
Ontem, o TCE anunciou apenas o resultado das auditorias nas contas de 98 e 99 (cujas irregularidades somam R$ 70.902.965,89) o relatório de 97 está com o conselheiro Quielse Crisóstomo. Belinati já sabia do relatório porque recebeu o processo para defesa no dia 16 de fevereiro. Ele pediu prorrogação por mais 60 dias para defesa, mas Iatauro concedeu apenas 20.
Segundo Iatauro, foram detectados desvios de finalidade. O dinheiro foi mal usado. E com recursos públicos só se pode fazer o que a lei permite. Algumas irregularidades apontadas pela equipe de oito técnicos do TCE que investigou a prefeitura, autarquias, fundos e fundações desde junho do ano passado são ausência de licitações, distribuição indiscriminada de cestas básicas e contratação de pessoal sem concurso.
No caso da Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões (Caapsml) foi detectada aquisição sem licitação de medicamentos para farmácia e comercialização de medicamentos sem previsão legal. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) fez a contratação da empresa Inepar, também sem licitação. Na lista consta também o repasse de R$ 2,5 milhões à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a realização do Torneio Pré-Olímpico em fevereiro de 2000.
Além de Belinati, foram relacionados na auditoria do TCE 11 dirigentes José Roberto Froés da Motta, da Caapsml; Mário Stamm Junior, do Ippul; Antonio José Der Bedrossian, do Serviço Municipal de Saúde; Agajan Der Bedrossian, do Fundo Municipal de Saúde; Gustavo Santos, da Administração do Cemitério e Serviços Funerários (Acesf); Mauro Maggi, Sandra Lucia Graça Recco (vereadora pelo PSB) e Rubens Canizares (vereador pelo PHS), da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA); José Righi de Oliveira, do Pavilon; Luiz César Guedes, do Fundo de Desenvolvimento de Londrina; e Kakunen Kyosen, do Fundo de Urbanização de Londrina.
Todos estão no mesmo barco e podem ser responsabilizados, declarou Iatauro. Segundo o técnico responsável pelas investigações, José Rubens Cafareli, o número de envolvidos pode ser maior.
O presidente do TCE explicou que os números levantados pelo tribunal podem aumentar ou diminuir porque os órgãos relacionados ainda não apresentaram a defesa. As auditorias precisam passar pelo crivo das diretorias de contas municipais, jurídica e Procuradoria do Estado junto ao TCE. Depois, serão encaminhadas ao plenário para julgamento, o que deve acontecer até final de abril. Em seguida, serão enviadas à Câmara de Vereadores de Londrina e ao MP.
As punições para os envolvidos, avaliou Iatauro, são perda dos direitos políticos, prisão, além da devolução dos valores. Ele disse que o TCE ainda vai avaliar quais serão as punições cabíveis. A reportagem procurou Belinati ontem, mas ele não foi encontrado.





