O Tribunal de Contas (TC) do Paraná reprovou a prestação de contas da Câmara de Cascavel (Oeste), referente ao ano de 2011. Em acórdão do último dia 24 de outubro, o relator do processo, conselheiro Nestor Baptista, apontou diferença na ordem de R$ 6,8 milhões entre os passivos patrimoniais da Casa apresentados mensalmente e a consolidação anual. Os dados ''demonstram diferença de R$ 7.100.110,39 entre o valor do passivo patrimonial do balanço da Câmara informado ao SIM-AM (Sistema de Informações Municipais) e o verificado pela contabilidade da entidade''.
Acopanhando o voto de Baptista, os demais conselheiros da 2 Câmara do TC, Hermas Brandão e Durval Amaral, julgaram irregular a prestação de contas e decidiram ''inscrever o Sr. Marcos Sotille Damaceno (PDT, presidente do Legislativo na época) no cadastro dos responsáveis com contas irregulares''. Damaceno é sobrinho do prefeito Edgar Bueno (PDT) e está afastado da Câmara por decisão judicial enquanto estiver em andamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Propina.
O contador da Câmara de Cascavel, Paulino Roberto Rodrigues, afirmou que pode ter ocorrido falha técnica na elaboração dos relatórios que tratavam do balanço patrimonial. Ele negou ma-fé. ''Mudamos o programa de contabilidade de 2010 para 2011 e o novo programa não atualizou os dados, mas infelizmente não percebemos isso na hora, sobre a divergência dos passivos'', justificou Rodrigues.
Segundo ele, a Casa apresentou novo relatório contábil, ''mas para o TC ainda não houve a explicação de como aconteceu o salto no valor e talvez aí tenha sido a nossa falha técnica''. A Câmara vai apresentar recurso contra a decisão do tribunal. A FOLHA tentou falar com o presidente afastado, mas ele não foi localizado nem pela assessoria de imprensa do Legislativo ontem à tarde.

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