A Assembléia Legislativa está dando os últimos retoques para colocar em pauta projeto de lei que altera a denominação de sete cargos de auditores do Tribunal de Contas (TC) do Paraná - com salário mensal médio de R$ 7 mil - para conselheiros substitutos. A fórmula estudada pelo presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), é apontada nos meios políticos como um mecanismo alternativo para a acomodação dos aliados do governador Jaime Lerner (PFL) e de seu grupo político - o PFL e o PTB - que correm o risco de ficar de fora da equipe de governo no segundo mandato.
Khury não revela em que ponto do projeto vai mexer. A idéia não é nova e circula na Assembléia desde dezembro do ano passado, em busca do melhor momento para ser aprovada. Pelo projeto, a troca de nome - de auditor para conselheiro substituto - desobriga o Estado a fazer concurso público. Para ser auditor hoje, os interessados precisam passar por um processo rigoroso de seleção. Pela nova proposta, basta terem ‘‘conduta ilibada’’. A Assembléia, pela proposta de dezembro, fica com o direito de indicar cinco dos sete conselheiros e o governo, dois.
Nos bastidores, quatro interessados já teriam indicado interesse em assumir a função: os secretários da Comunicação, Jaime Lechinski; da Fazenda, Giovani Gionédis; dos Direitos do Consumidor, José Tavares; e o representante da Procuradoria Geral do Estado no TC, Lauri Caetano. Eles negam ser candidatos e preferem não se manifestar sobre o assunto, ainda tratado com pouca transparência no Poder Legislativo. O cautela é justificada. Em oito estados brasileiros, o Judiciário manifestou-se contra a mudança de designação e contratação eminentemente política.
O presidente do TC, conselheiro Artagão de Mattos Leão, disse que não pretende interferir nos planos, seja do Legislativo ou do Executivo. Ele esteve na última terça-feira com o presidente da Assembléia. ‘‘Eu não defendo nada. Só sei que pela legislação, como está, há uma obrigatoriedade de concurso público para a contratação de auditores’’, disse. Para o conselheiro, são indiferentes os nomes cogitados. ‘‘O que me interessa é o preenchimento das vagas’’, assinalou ele. Mattos Leão informou que apenas duas vagas de auditores estão preenchidas.

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