O número de contas desaprovadas entre as prefeituras do Paraná teve queda de aproximadamente 30% em apenas dois anos: se em 2005 elas corresponderam a 70% do material analisado pelo Tribunal de Conta do Estado (TCE), no ano passado foram pouco menos da metade. Na tentativa de reduzir mais este índice - ainda considerado ‘‘muito grande’’ pelo TCE - o órgão promoveu ontem, em Londrina, o primeiro de uma série de encontros regionais para orientar municípios sobre a elaboração de orçamentos.
  ‘‘Ainda falta planejamento na administração e qualificação dos profissionais. Por isso criamos a Escola de Gestão Pública, treinamos 10,4 mil servidores em todo o Paraná no ano passado e estamos promovendo eventos como este’’, justificou o presidente do TCE, Nestor Baptista. Segundo a organização do seminário, aproximadamente 250 participantes de 90 municípios da região se inscreveram no evento. Os próximos encontros serão realizados em Maringá (dia 9), Curitiba (dia 16) e Cascavel (dia 23).
  Segundo Baptista, o ‘‘grande segredo’’ de uma boa peça orçamentária continua sendo o respeito à regra mais básica de qualquer administrador: não gastar mais do que se arrecada. Recado que o tribunal também pretende passar aos vencedores das eleições de outubro, por meio de novos treinamentos. Embora afirme que é inevitável promover indicações políticas para contemplar partidos de apoio, o presidente do TCE defende que os prefeitos sempre tenham a seu lado técnicos qualificados que conheçam as leis e a administração pública.
  Uma recomendação difícil de ser seguida nas pequenas cidades, afirma o presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), José do Carmo. ‘‘Existe uma migração muito grande de jovens para os grandes centros, e os municípios menores acabam ficando desprovidos de técnicos capacitados. Por isso a necessidade de se ter a presença constante de um órgão como o TCE para treinar e qualificar gestores.’’
  Para o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), que está prestes a encerrar oito anos de mandato, a receita para manter o equilíbrio das contas municipais não difere da gestão de recursos feita por um chefe de família. ‘‘É definir prioridades. Cada período tem um tipo de demanda e cabe ao administrador tomar decisões dentro do que permite o orçamento, mesmo pagando o preço político. Quem achar que vai ser prefeito e em nenhum momento terá que dizer ‘não’ está enganado’’, lança.

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