A contratação emergencial da oficina Providence, supostamente fraudada, segundo investigação do Ministério Público (MP) do Paraná, foi aprovada pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná. O órgão de controle afirmou que "acatou argumentos apresentados pela Secretaria da Administração e Departamento de Transporte Oficial (Deto) (...), além de considerar a possibilidade de dano irreparável à população", caso o contrato ficasse suspenso. A empresa, que é representada pelo mecânico Ismar Ieger, embora pertença "de fato" a Luiz Abi Antoun, teria se beneficiado de orçamentos falsos que maquiaram a licitação, conferindo aparência de legalidade ao processo.
Em dezembro do ano passado, o corregedor-geral em exercício, Nestor Baptista, determinou, cautelarmente, a suspensão do contrato "tendo em vista os supostos indícios de irregularidades" no procedimento. A decisão foi recebida com preocupação pelos investigados na operação Voldemort. Em interceptação telefônica feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com autorização judicial, o então diretor do Deto, Ernani Delicato, diz para Ieger se preparar para possíveis questionamentos sobre o contrato. "Entre hoje e amanhã se alguém te perguntar aí... você só tá executando as ordens de serviço que já estavam aprovadas...", ensina Delicato. "Porque o Tribunal mandou suspender... claro que nós não vamos suspender. Não tem nem como, não tem cabimento isso!", disse o servidor público mais a frente.
Um mês depois da suspensão do contrato, o titular da Corregedoria-Geral do TC, conselheiro Durval Amaral, derrubou a liminar e liberou o contrato com a Providence. A decisão é provisória, pois o processo ainda não foi julgado pelo Pleno do TC. Procurado pela reportagem, Amaral não quis conceder entrevista e, por meio nota, afirmou que "diante da divulgação de novos fatos, solicitei cópia integral dos autos junto ao Ministério Público Estadual".
Ninguém na Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (Seap) quis se manifestar sobre o assunto. Em nota, o órgão afirmou que ainda não tem conhecimento oficial das denúncias apontadas pelo Gaeco "e desta forma, as respostas aos questionamentos realizados pela imprensa podem ser incompletas, não satisfazendo nem aos órgãos de imprensa, nem à Secretaria da Administração e nem à sociedade".
Para encerrar o comunicado oficial, diz que "a secretaria está realizando uma auditoria nos contratos assinados pelo Deto, cujo resultado estará disponível dentro do prazo estabelecido para o trabalho".

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