Leandro Donatti
De Curitiba
O Tribunal de Contas do Paraná (TC) vai investigar as pensões pagas pelo governo do Estado a servidores públicos através do Instituto de Previdência do Paraná (IPE), em vias de extinção. A pedido do conselheiro João Féder, o TC decidiu ontem que vai fazer uma auditoria completa no pagamento de pensões. Féder suspeita que o poder público está bancando pensões ‘‘astronômicas’’, com valores superiores a R$ 20 mil.
A operação pente-fino teve o apoio da maioria dos conselheiros, na sessão de ontem à tarde, e deve começar nos próximos dias. João Féder não quis repassar algumas informações sigilosas a que teve acesso. Mas garantiu que existem pensões com valores abusivos. ‘‘Precisamos investigar isso com bastante cuidado. São pensões muito altas e precisamos saber para onde exatamente o dinheiro está indo’’, observou.
Féder não definiu ainda qual será a sua estratégia para obter a relação dos pensionistas mantidos atualmente pelo IPE e que, no futuro, serão suportados pela ParanaPrevidência, o novo sistema previdenciário criado pelo governo para o funcionalismo público. Nos bastidores do TC, ontem, circulava a informação de que Féder poderia conseguir dados mais precisos no Banestado, o responsável pelo repasse dos pagamentos.
A Folha contatou ontem com o secretário de Planejamento e presidente da ParanaPrevidência, Miguel Salomão. O secretário não soube confirmar se existem pensões acima dos R$ 20 mil alegados por João Féder. O presidente da ParanaPrevidência disse que os pagamentos ainda são feitos pelo IPE, sob a fiscalização da Secretaria de Administração. ‘O sistema previdenciário está em transição. Durante um ano, quem fará isso é o IPE’’, observou Salomão. A reportagem tentou ainda falar com Maria Elisa Paciornik, da Administração, mas o contato não foi possível. O celular da secretária estava desligado.
Além de definir a devassa nas pensões do IPE, os conselheiros decidiram ontem dar uma trégua de 30 dias ao governo. Venceu ontem o prazo de 20 dias dado pelo TC para o Palácio Iguaçu encaminhar as contas de paraestatais como a Paranacidade, Paranaeducação e a Eco Paraná. Segundo o presidente do Tribunal, Quiélse Crisóstomo, o governo se dispôs a encaminhar a papelada, mas antes pretende promover mudanças na atual legislação que faculta às paraestatais a prestação de contas apenas à Assembléia Legislativa.
O acordo entre o TC e o governo foi firmado há cerca de 10 dias, informou ontem Crisóstomo, e contou com a presença dos secretários José Cid Campêlo Filho (Governo), Pretextato Taborda Ribas (Casa Civil), Alcyone Saliba (Educação) e Lubomir Ficinski (Desenvolvimento Urbano). ‘‘Por enquanto não entraremos na Justiça para obrigar o governo a nos entregar as contas’’, observou o presidente do TC, que há 20 dias apoiou a iniciativa do também conselheiro Rafael Iatauro, de dar o ultimato.
Quiélse Crisóstomo acredita na boa vontade do governo estadual e disse ontem que considera razoável o prazo de mais um mês para que as prestações de contas sejam entregues. A briga das paraestatais com o governo se arrasta há dois anos, desde que as empresas foram criadas pelo governador Jaime Lerner (PFL). As paraestatais são comandadas pelo poder público, mas mantêm a gestão do setor privado.

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