O Tribunal de Contas do Estado (TC) vai investigar, a partir de segunda-feira, a Prefeitura de Doutor Camargo (32 quilômetros a oeste de Maringá) por suspeitas de ter utilizado a Companhia Paranaense de Energia (Copel), sem conhecimento, para efetuar saques de recursos públicos. Esquema semelhante foi detectado em Maringá, onde, segundo o TC, cheques eram emitidos como se fossem pagamentos à Copel, mas os repasses não chegavam à empresa.
Os auditores Jaime Costa e Mário Cecato vão investigar o relacionamento financeiro que a Prefeitura de Doutor Camargo vem mantendo com a estatal de energia. A decisão do TC foi tomada depois de uma denúncia feita pelo ex-prefeito Valter Bessani contra a gestão anterior (1993-96), que era administrada por Paulo Nocchi (PMDB) – ele é o atual prefeito.
Segundo o TC, Nocchi foi intimado a recolher R$ 115.973,56 aos cofres públicos, devido a uma série de irregularidades. Entre elas estão a não realização de licitações e compra de medicamentos não entregues. Ele recorreu da decisão do TC que, por suspeitar de outras ações, aprovou a realização da auditoria específica para apurar a relação prefeitura-Copel. Segundo o TC, o prefeito também está sendo investigado pelo Ministério Público (MP).
Em entrevista por telefone, Nocchi sustentou que não sabe como funcionava o esquema de Paolicchi e que Bessani o denunciou apenas para prejudicá-lo. ‘‘Estou tranquilo e, à medida que tomar conhecimento das denúncias, vou continuar me defendendo’’. Disse ainda que acredita que será ‘‘liberado’’ pelo plenário.
Nocchi também foi prefeito de 1983 a 88. Ele admitiu que pode ter ocorrido ‘‘acerto de contas tardio, por falhas do pessoal da tesouraria’’. ‘‘Mas nunca tive problemas com a Copel’’, assegurou. O prefeito afirmou que um documento da Procuradoria de Justiça junto ao TC relata que não existem irregularidades nos gastos da prefeitura com a companhia de energia.
De acordo com o prefeito, o documento é datado de 20 de março deste ano e diz que ‘‘evidenciaram-se falhas contábeis de ordem formal, porém o conteúdo do fato, ou seja, o numerário migrante no encontro de contas entre consumo dos prédios municipais e a taxa de iluminação pública quedou-se em números corretos, embora tardiamente lançados’’, diz um trecho. ‘‘Pelo que concordamos com a conclusão da DATJ (Diretoria de Assistência Técnica e Jurídica), que é pelo provimento do recurso, na medida em que inexistem irregularidades nos gastos com a Copel’’.
A equipe do TC, supervisionada pelo procurador Laerzio Chierosin Júnior, coordenador de todas as investigações em Maringá, terá cinco dias para concluir o trabalho. O resultado servirá de base para o plenário julgar o processo de Nocchi. ‘‘Tenho o voto de confiança do povo, que são seis mil habitantes’’, resumiu. O peemedebista disse que só tem uma casa e um carro financiado. ‘‘Isso por acaso é patrimônio de gente que tem muito dinheiro?’’, questionou. (M.D.)
Em Maringá, segundo informações do TC, o ex-secretário da Fazenda emitia cheques para pagamento de faturas verdadeiras, mas o dinheiro era desviado ou então pagava contas que não existiam. Auditoria realizada em Maringá aponta que ocorreram desvios de R$ 54 milhões. Paolicchi, principal acusado dos desvios, está preso desde dezembro do ano passado.

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