As contas dos últimos sete meses de governo do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido) foram desaprovadas pelo Tribunal de Contas. Gianoto foi afastado do cargo no ano passado por causa dos escândalos de desvio de recursos da prefeitura. Em 2000, foram desviados cerca de R$ 6,6 milhões. O rombo total é de R$ 54 milhões, segundo o TC. O ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolichi, preso há oito meses, é acusado de encabeçar o esquema junto com Gianoto. Os desvios podem passar de R$ 120 milhões.

O balanço financeiro da Câmara de Vereadores também foi rejeitado. A causa foi a contratação de emissoras de rádio para transmitir sessões da Casa, um serviço remunerado de publicidade considerado irregular. As informações sobre as contas do Legislativo e Executivo vão para o Ministério Público Estadual, que desde o ano passado promove uma devassa na administração de Gianoto. Ele nega ter tido conhecimento das irregularidades e as atribui a Paolichi, que em depoimento já devolveu a responsabilidade para o ex-chefe.

O TC vai analisar em separado os números de 1999. Falta ainda a revisão prometida dos anos de 97 e 98, que receberam sinal positivo do TC. Nesses dois períodos também foram dectados desvios dos cofres públicos num trabalho desencadeado por promotores federais e estaduais. Daí em diante, o TC montou uma megaoperação que concluiu pelo desvio de R$ 46 milhões (R$ 54 milhões atualizados) nos três anos e sete meses da gestão Gianoto.

O parecer prévio sobre a investigação de 2000 é assinado pelo auditor do TC, Roberto Macedo Guimarães. Ele disse que a Fundação de Desenvolvimento Social deixou de recolher tributos para o INSS. A auditoria revelou ainda que o Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros foi usado para pagar despesas com hotel para o alto comando da corporação. O fundo fechou o ano passado no vermelho.

A Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais manteve ''restos a pagar'' mesmo sem cobertura financeira, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), segundo a auditoria. Macedo identificou irregularidades no Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação, onde havia recursos disponíveis, mas sem aplicação prevista, ''demonstrando descaso com a manutenção do valor real destes recursos''.

O vereador João ''John'' Alves Corrêa (PMDB), que foi presidente da Câmara em 1999 e 2000, disse que irá recorrer da decisão do TC. Ele alegou que as transmissões de rádio sempre foram realizadas pelo Legislativo, sem nenhuma contestação anterior. Afirmou ainda que as sessões deixaram de ser veiculadas porque a LRF não permite pagamento para esse tipo de serviço. Gianato não foi localizado pela Folha.®MDNM¯ (Colaborou Marta Medeiros, de Maringá)

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