TC desaprova contas de 1998 da Codel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de maio de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) reprovou a prestação de contas da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel, atual Idel) referente ao exercício financeiro de 1998. À época, o órgão da administração indireta foi comandado pelo atual deputado federal, o então vice-prefeito Alex Canziani (PTB), e pelo empresário José Cândido Miller Junior. Conforme a decisão publicada pela 2 Câmara do TC, no último dia 25, pelo menos R$ 1.425.603 teriam sido investidos irregularmente em sete despesas diferentes - distribuídos em R$ 173.733 durante a gestão de Alex (de janeiro a abril daquele ano) e R$ 1.251.870 sob o comando de Miller Junior (abril a dezembro). O Tribunal determina a devolução dos valores.
A análise feita pela Diretoria de Contas Municipais (DCM) considerou também a prestação de contas do Terminal Rodoviário de Londrina (TRL), organismo subordinado à Codel. Nesse caso, as contas foram julgadas regulares.
Entre as supostas irregularidades elencadas na extinta Codel, em 1998, o parecer do TC observou desde despesas com carnaval (cerca de R$ 108 mil) àquelas oriundas de convênio com a Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec, R$ 443.546), com o programa Paraná-Europa (R$ 671.717), com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil, R$ 180.400), Associação do Desenvolvimento da Indústria Informal do Paraná (Adipar, R$ 18 mil). Com associações culturais, conselhos e institutos, são outros R$ 3.775 de ''despesas estranhas às finalidades da Codel''.
Como a decisão é de primeira instância, a partir da publicação e da notificação dela é aberto prazo para que a dupla apresente recurso junto ao Tribunal Pleno do TC, que pode revisá-la ou mantê-la - e, neste caso, encaminhá-la para o Ministério Público para ingresso de ações cabíveis.
O advogado do deputado, Maurício Carneiro, disse ontem que ingressaria ainda esta semana recurso pedindo a revisão do julgamento. ''A decisão é equivocada e vamos demonstrar isso, mesmo porque, o Tribunal aprovou antes e depois de 1998 despesas idênticas. O convênio com a Adetec, por exemplo, é anterior àquele ano e continua. A verba para o carnaval, por sua vez, foi repassada com base em autorização de decreto municipal e nunca foi questionado'', afirmou. ''O Paraná-Europa estava nas funções da Codel, que é trazer empreendedores à cidade'', argumentou Carneiro, conforme o qual ainda não houve notificação.
A reportagem telefonou para Miller Junior na empresa dele, e no celular, mas o empresário não foi localizado, nem retornou o pedido de entrevista.


