TC define investigação no IPE
Leandro Donatti
De Curitiba
O presidente do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, conselheiro Quiélse Crisóstomo, baixou ontem à tarde uma portaria nomeando os cinco auditores que cuidarão das investigações sobre fraudes no pagamento de pensões pelo Instituto de Previdência do Estado (IPE). A auditoria do TC vai ser presidida por Carlos Alberto Amaral Siqueira e será paralela à apuração que vem sendo realizada pela Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público e Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública.
O TC desloca os auditores já no início da semana que vem para a sede do IPE em Curitiba. Eles iniciarão um processo de coleta de informações, atualmente mantidas sob sigilo pelo Ministério Público, Polícia Civil e pela própria Superintendência do Instituto. Não se sabe ainda quanto tempo levará o trabalho. As auditorias promovidas pelo TC duram em média três meses, informou ontem o gabinete da presidência. Porém, nos casos de fraudes o processo é um pouco mais demorado.
A Folha apurou que o primeiro documento a ser solicitado pelos auditores do TC ao superintendente do IPE, Rubens Drumond de Carvalho, será a relação dos 15 mil pensionistas e o valor de cada uma das pensões. O TC quer ter certeza de que as pensões astronômicas, superiores a R$ 20 mil, fraudadas por funcionários já afastados do IPE, foram suspensas como informou a superintendência. Segundo Drumond, pelo menos quatro pensões dessa monta vigoraram durante alguns meses, não mais de dois.
Os auditores querem ainda levantar o número exato dos casos em que os funcionários ressuscitaram pensionistas mortos para favorecer parentes. Bem como as categorias beneficiadas com incrementos de pensão sem terem direito legalmente. O TC vai pedir ainda cópias do inquérito em curso na Delegacia de de Crimes Contra a Administração Pública.
O delegado do caso, Claudimar Lucio Lugli, informou ontem à Folha que o inquérito do IPE foi instaurado há um mês. E não tem data para estar concluído. Lugli ouviu diversos pensionistas suspeitos de se beneficiar com a fraude, mas não quis adiantar nenhum posicionamento. Concluído o inquérito, o delegado pretende enviá-lo para o MP, que pode ou não entrar com ação civil pública.





