TC defende prazo de transição
TC defende prazo de transição
O presidente do Tribunal de Contas (TC) do Rio Grande do Sul, Hélio Mileski, defendeu ontem a adoção de um período de transição para que a Lei de Responsabilidade Fiscal entre em vigor. Na opinião de Mileski, por uma questão de bom senso a lei deveria valer a partir de 2001. É uma posição unânime entre os presidentes dos Tribunais de Contas do País, informou. Segundo ele, a unanimidade foi constatada durante reunião, realizada no ano passado, da Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).
Mileski acredita que prefeitos de pequenos municípios que, segundo ele, não contam com estrutura jurídica e administrativa capaz de absorver e compreender rapidamente determinações de uma lei complexa estarão sujeitos a cometer erros e ser punidos até penalmente. Ele disse que os TCEs, que orientam os administradores públicos na observância das leis, não poderão fazê-lo de imediato. Nós mesmos precisaremos nos familiarizar com a lei, justificou. Com isso, o administrador público acabará cometendo erros por desconhecimento, previu.
O presidente do TC gaúcho levantou outra dificuldade: se a lei, de fato, passar a valer em 2000, como compatibilizar orçamentos, votados e aprovados em 1999 e já em andamento, com a nova legislação? Para ele, este obstáculo não existirá se a lei vigorar apenas no próximo ano. Os orçamentos, então, já serão preparados de acordo com a legislação aprovada.
No Rio de Janeiro, o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), anunciou que, por solidariedade, poderá apoiar uma ação conjunta dos prefeitos das capitais para contestar a Lei de Responsabilidade Fiscal na Justiça. Para ele, a defesa da Lei tem sido em clima de bolero mexicano.
O pefelista disse não aceitar o maniqueísmo que apresenta como honrado quem é a favor da nova regra e como não-honrado quem não aceita a a adoção já. Conde também acusou o governo federal, defensor da vigência imediata da nova norma, de irresponsabilidade fiscal por não pagar ao Rio o que deve.
Responsabilidade fiscal não é gastar R$ 20 milhões de Lei Rouanet para fazer o Brasil 500 anos em São Paulo, fazer uma grutinha de R$ 4,6 milhões no Ibirapuera para botar o Walt Disney lá dentro, criticou. Conde afirmou que, com a mesma quantia, faria dez creches. Ele listou órgãos federais que têm dívidas com a cidade: INSS, Infraero, Casa da Moeda e Porto do Rio. (A.E.)





