Os relatórios das auditorias feitas pelo Tribunal de Contas (TC) nas finanças das prefeituras de Londrina e Maringá deverão ser entregues ao presidente do órgão, Rafael Iatauro, ainda nesta semana. A conclusão dos trabalhos, no entanto, está demorando mais do que o esperado pelo corpo técnico do tribunal. A previsão anterior era repassar os resultados à presidência no início do mês.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o relatório das contas de Maringá já está concluído mas nenhuma informação pode ser antecipada antes de passar pelas mãos do presidente Rafael Iatauro. O resultado das apurações nas contas de Londrina também está em fase final de elaboração, segundo informou a assessoria.
O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, Laerzio Chiesorin Júnior, é o responsável pela auditoria feita nas contas da Prefeitura de Maringá nos últimos três anos. O relatório será então encaminhado à Corregedoria Geral. Os responsáveis por desvios nas contas públicas serão notificados e terão que apresentar defesa. Em seguida, a matéria vai a plenário para julgamento.
Os técnicos fizeram o cruzamento de dados de saída e entrada de dinheiro da Prefeitura de Maringá. Num primeiro momento, foi analisado somente o período de 1997 a 2000 – que corresponde à gestão do ex-prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido), acusado de participação nos desvios. Mas o TC vai também analisar as contas da prefeitura entre 1986 a 2000.
O ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, já responde a processo por desvios na prefeitura junto com o ex-prefeito. Paolicchi foi preso pela Polícia Federal (PF) em Florianópolis (SC) no dia 7 de dezembro, mas foi transferido para Maringá, onde permanece detido. O ex-secretário está sendo investigado na Justiça Federal por quatro crimes: formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Na justiça comum, é acusado de improbidade administrativa.
A auditoria do TC, num levamentamento parcial, apurou um ‘‘buraco’’ de pelo menos R$ 36 milhões em Maringá somente nos últimos três anos – mas uma fonte da Folha indicou que os desvios podem passar dos R$ 100 milhões, considerando a evolução patrimonial de ex-secretário Paolicchi, que não é compatível com sua renda. Na ação de improbidade administrativa contra Gianoto e Paolicchi o valor do rombo apontado inicialmente era de apenas R$ 3,1 milhões.
O relatório de Londrina também será submetido a julgamento no TC e servirá de base para o julgamento das contas do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). O Ministério Público investiga fraudes em contratos e licitações envolvendo a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e a extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), atual CMTU. Já foram comprovados desvios de pelo menos R$ 16 milhões. No entanto, os desvios em Londrina podem chegar a R$ 200 milhões.
O presidente do TC explica que uma das suas principais providências é agilizar os trabalhos e julgamentos. Ele avisa, entretanto, que a agilidade esbarra na falta de técnicos.

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