O Tribunal de Contas do Paraná (TC) vai investigar as contas da Prefeitura de Maringá dos últimos 14 anos, compreendendo as quatro últimas gestões. Ontem, quatro auditores e um representante do Ministério Público (MP) no TC chegaram à cidade para o trabalho, que não tem prazo para terminar. Eles vão tentar descobrir também a quais municípios o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, acusado de desviar R$ 2,6 milhões, prestava assessoria.
Os auditores se reuniram com o promotor José Aparecido Cruz, da Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público, para tomar conhecimento da ação de improbidade administrativa contra Paolicchi e outros três acusados. Depois, já no final da tarde, reuniram-se com o prefeito Jairo Gianoto (PSDB) para definir como será procedido o trabalho, que começa hoje.
‘‘Não temos por onde iniciar nem noção do que vamos encontrar’’, afirmou o promotor Laerzio Chiesorin Júnior, representante do MP. Os auditores são Manoel Candido da Silva, Gumercindo de Souza, Jaime Aguiar Costa e Paulo Roberto Marques Fernandes. A prioridade em Maringá, segundo eles, é analisar os últimos anos – o desvio dos R$ 2,6 milhões teria ocorrido entre dezembro de 1998 e março de 1999.
O período coincide com a atuação de Paolicchi na Secretaria de Fazenda. Ele ingressou no cargo através de concurso, mas se tornou secretário apenas no final do mandato de Said Ferreira. A auditoria começa justamente na metade do primeiro mandato de Ferreira, que deixou o cargo em 1989, substituído por Ricardo Barros, hoje deputado federal do PPB. Ferreira voltou para a prefeitura em 1993 e depois assumiu Jairo Gianoto. O fato de Paolicchi assessorar prefeituras, segundo os auditores, não deve ter ligação com Maringá.
Os auditores querem, no entanto, identificar as prefeituras que já foram assessoradas pelo ex-secretário. O trabalho do TC pode esclarecer também o envolvimento dos outros dois funcionários acusados, o secretário de Fazenda afastado, Jorge Aparecido Sossai, e a servidora Rosimeire Castelhano Barbosa. Além deles, o advogado Waldemir Ronaldo Corrêa, assessor de Paolicchi e funcionários licenciado, é acusado de participar do desvio.
O promotor José Aparecido Cruz diz que a auditoria do TC pode identificar novas irregularidades e desvios de dinheiro público na prefeitura. Ele explica que a equipe vai verificar toda administração, inclusive gastos com contratação de pessoal e serviços ou de publicidade. Além da ação civil, Paolicchi e os outros acusados respondem a uma ação penal na Justiça Federal por peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação.
Ontem, a Justiça Federal de Maringá informou que Rosimeire, Sossai e Corrêa já foram citados e devem ser ouvidos no dia 30. Moisés Zanardi, advogado de Paolicchi, disse que o cliente ainda não decidiu se vai comparecer, mesmo que a prisão preventiva decretada seja revogada – Paolicchi está foragido, possivelmente na Itália. Uma fonte da Justiça Federal disse que dificilmente o pedido será revogado.