Auditores do Tribunal de Contas do Paraná (TC) começaram ontem a verificar as contas da segunda gestão (1993 a 1996) do ex-prefeito de Maringá Said Ferreira (sem partido). O TC tem como ponto de partida o desvio de R$ 4,2 milhões denunciados em novembro do ano passado em uma auditoria interna promovida pelo ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido).
Segundo o procurador do Ministério Público junto ao TC, Laerzio Chiesorin Júnior, os auditores vão tentar confirmar o desvio dos recursos, além de rastrear eventuais irregularidades na contabilidade do município, que na ocasião também era assinada pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi.
Uma das dificuldades da auditoria do TC – que nas contas de Gianoto (1997 a 2000) constatou um rombo de R$ 54,3 milhões – será levantar documentos. Mais de 90% dos papéis contábeis já foram incinerados e agora restam microfilmes. Os auditores devem utilizar para o trabalho, além dos microfilmes, listagem de computadores e extratos bancários. ‘‘Somos acostumados com papéis, mas os documentos que restam já servem para a conferência’’, disse Chiesorin.
Conforme o procurador do TC, a auditoria será semelhante à realizada nas contas de Gianoto. A previsão é de um mês entre o trabalho dos auditores até a divulgação do relatório final. O TC informou que as contas da segunda gestão de Said também foram aprovadas, a exemplo do ocorreu nas demais administrações.
Chiesorin informou que o TC pode voltar a auditar contas de Gianoto porque a parte de contratos, licitações e convênios ficou de fora. O procurador lembrou ainda que os auditores não chegaram a verificar a existência de notas frias ou superfaturadas. ‘‘A nossa volta vai depender da atual administração, porque se a prefeitura fizer uma auditoria interna neste sentido o trabalho do TC será dispensável’’, explicou Chiesorin. Segundo o secretário municipal de Fazenda, Ênio Verri, a prefeitura só deve promover uma auditoria interna daqui a dois meses para abranger apenas a gestão de Gianoto.
O procurador voltou a rebater ontem críticas de que o TC aprovou contas irregulares nos últimos anos. Segundo Chiesorin Júnior, o ex-secretário de Fazenda de Maringá era um ‘‘técnico altamente preparado’’ para encobertar números dos demonstrativos financeiros da prefeitura. ‘‘Do ponto de vista formal os relatórios de Maringá sempre estiveram em dia, mas só uma auditoria local foi capaz de cruzar informações entre a contabilidade e a movimentação bancária’’, disse o procurador.
Paolicchi foi contador da Prefeitura de Maringá por 15 anos e nas três últimas gestões sempre se revezou entre os cargos de secretário ou diretor de Fazenda. Paolicchi está preso desde o dia 7 dezembro, acusado pela Justiça Federal de peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Na Justiça comum, Paolicchi é réu junto com Gianoto em ação de improbidade administrativa por desvios que podem ultrapassar R$ 100 milhões.

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