Curitiba - O inspetor Agileu Bittencourt, do Tribunal de Contas do Estado, afirmou ontem que pretende entregar dentro dos próximos meses relatório sobre o programa Leite das Crianças ao plenário da instituição. O projeto é mantido pelo governo estadual e atualmente atende cerca de 170 mil crianças de baixa renda.
''Estamos apurando se o preço (que o governo paga pelo leite) é justo, se a distribuição está sendo bem feita, se as pessoas (beneficiadas) estão assinando as notas de recebimento'', disse Bittencourt. O Ministério Público também está investigando o programa. Recentemente, a imprensa divulgou que haveria indícios de que o governo teria pago pelo leite valor superior ao praticado por empresas parceiras na venda para supermercados e de que parte das entregas não estaria sendo feita.
A respeito da primeira denúncia, o secretário em exercício da Agricultura e do Abastecimento, Nilton Ribas, afirmou ontem que o governo estadual não pagou a mais pelo leite. ''Houve esse caso específico na região de Cascavel (em setembro). Uma disputa entre quatro empresas diminuiu o preço do litro de leite para R$ 0,65 no atacado. No mesmo mês, o Conseleite (conselho que divulga preços referenciais do produto seguidos pelo governo para o programa) tinha divulgado o preço de R$ 0,91. O preço então foi corrigido para o menor valor e foi o que o governo pagou'', afirmou o secretário.
Quando um repórter perguntou sobre denúncia de que irregularidades teriam ocorrido na região de Londrina, Ribas não quis responder. ''Nada a declarar'', disse ele. Sobre a denúncia de que crianças cadastradas não estariam recebendo o leite em alguns dias do mês, a Unidade Gestora do programa divulgou ontem um documento no qual nega a acusação.
A alegação é de que todas as remessas de leite pagas pelo governo foram efetuadas pelas empresas parceiras do programa e de que haveria notas fiscais para comprovar isso. A Unidade Gestora também apontou que denúncias de desvios na entrega do leite são encaminhadas à Ouvidoria do Leite das Crianças.
Apesar das explicações, ontem o secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, admitiu que podem ter ocorrido problemas no projeto. ''Nós sabíamos desde o início que um programa dessa dimensão teria problemas'', afirmou ele. ''Mas se eles existem, somos os primeiros a querer solucioná-los.''

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