O Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) julgou e aprovou na sessão de ontem, por unanimidade, o relatório de uma auditoria que aponta desvios de mais de R$ 15.425 milhões da Prefeitura de Maringá. Segundo o documento, o rombo se refere ao período 1993/1996, na gestão do então prefeito Said Ferreira. Além dele, outros cinco servidores daquele período - dentre os quais, três ex-secretários - são acusados na investigação. O grupo foi condenado solidariamente a devolver o dinheiro ao erário, em valores corrigidos.
O resultado da auditoria, submetido ontem ao Pleno do Tribunal, foi obtido com a análise feita em 2001, na Prefeitura, por técnicos do TC. Segundo a assessoria do órgão, em Curitiba, a justificativa para os seis anos de demora no julgamento ocorreu para que as partes tivessem ''ampla possibilidade de defesa''.
Juntamente com Said Ferreira, são responsabilizados pelos supostos desvios constatados os ex-secretários municipais de Fazenda Rubens Weffort e Osmar Bento Zaninello, o ex-chefe da Divisão de Contabilidade, ex-diretor de Contabilidade e Finanças e também ex-secretário de Fazenda Luis Antonio Paolicchi. Dois funcionários subordinados aos secretários, ligados diretamente à Divisão de Finanças e ao setor de contabilidade, também figuram nos autos.
Em nota encaminhada no final da tarde de ontem à imprensa, o TC informou que a comprovação dos auditores veio a partir do exame de documentos como notas fiscais, recibos e faturas emitidos pela Prefeitura. Entretanto, a investigação detectou que a emissão de cheques, na verdade, seria destinada ao pagamento de despesas fictícias, o que figuraria os desvios. Cerca de metade do valor do rombo, por exemplo, teria sido obtida via simulação de pagamentos à Copel. O TC rejeitou a argumentação dos acusados.
O ex-prefeito informou que o suposto desvio, alvo de uma ação civil pública, não teria sido responsabilidade dele. ''Apenas delegava poderes aos meus secretários'', eximiu-se. ''Mas tenho uma ação cautelar na Procuradoria Geral do Estado que me concede, desde semana passada, prazo de 40 dias para antecipar produção de provas. Não tenho culpabilidade nisso.''
Nem Paolicchi, nem seu advogado foram localizados. Por telefone, a esposa de Weffort disse ser ''impossível'' ele se manifestar ontem. Já Zaninello, afirmou uma parente, faleceu há mais de dois anos.

mockup