Taxistas aceitam recadastramento, mas não descartam paralisação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de setembro de 2010
Paula Barbosa Ocanha<BR> Reportagem Local 
Em mais um capítulo da briga entre os taxistas e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, os representantes da categoria aceitaram fazer o recadastramento dos permissários, mas não descartam a possibilidade de greve. ''Vamos fazer uma reunião com nosso advogado amanhã (hoje) à tarde e, talvez vamos dar uma coletiva à noite. Ainda não decidimos nada, precisamos ouvir os representantes da categoria porque todos têm que estar cientes. O protesto é válido, mas repito, tem que ser organizado e com todo mundo apoiando. Fazer greve com 10 taxistas não resolve nada'', afirmou Fernando Nunes Souza, presidente do Sindicato dos Taxistas, após participar de uma reunião com o presidente da CMTU, André Nadai, juntamente com outros taxistas.
Segundo Fernando Nunes, existem 344 permissionários na cidade mais os auxiliares, somando em torno de 600 taxistas. ''O presidente da CMTU nos chamou para fazer o recadastramento dos motoristas. O problema é que muitos taxistas estavam tralhando com a permissão de pessoas que já são falecidas ou não podem mais trabalhar. Concordamos com a lei e queremos que o trabalho seja regulamentado, mas tínhamos um acordo com o prefeito de que teríamos 90 dias, pelo menos, para que essas permissões fossem transferidas para os atuais trabalhadores'', explicou.
Para o sindicalista, como o veto do prefeito Barbosa Neto (PDT) ao artigo do projeto de lei que legalizava a transferência de ponto para o sucessor ou o herdeiro do permissionário foi mantido pela Câmara de Vereadores na última quarta-feira, muitos taxistas perderão seus pontos de táxi. ''Vamos supor que 50 permissionários são falecidos, mas existem motoristas que conseguiram a permissão ou a sucessão, para trabalhar nesse lugar. Com o recadastramento essas vagas serão retiradas dessas pessoas e irão para licitação. São 50 taxistas que perdem o emprego, mais os auxiliares que estão com ele. Ainda não sabemos ao certo quantos serão, mas vai causar a demissão de muita gente. Por isso, é que fomos prejudicados'', argumentou.
Nunes disse que a intenção é organizar a categoria. ''Depois dos 90 dias do recadastramento e das transferências de pontos, essa prática ia parar. Não somos contra a lei, mas existem muitos trabalhadores que precisavam dessa transferência para regularizar a atual situação'', afirmou.
O presidente da CMTU ressaltou que a reunião com os taxistas ocorreu sem maiores incidentes e que decidirá o dia para o início do recadastramento dos permissários. ''Eu expliquei a eles que agora é necessário uma regulamentação. Vou abrir no dia 20 ou 21, no máximo, o prazo de 90 dias para a atualização cadastral de quem está irregular. Paralelamente estamos trabalhando na regulamentação da transferência de pontos de táxi. Tem algumas coisas que não são legais, então tudo vai correr conforme a lei permite'', detalhou André Nadai.
''Eu expliquei que não é uma decisão minha, isso é uma decisão legal. Existem alguns aspectos que podem ser discutidos entre nós e a categoria. Outras não tem como. Eu não vou fazer nada ilegal e eles entenderam, sabem que o recadastramento é necessário e não comentaram sobre greve na reunião'', finalizou.
SAIBA MAIS
Permissão
Direitos personalíssimos inerentes à pessoa enquanto fim em si mesma. Pertencem aos chamados direitos fundamentais e são indisponíveis, ou seja, não são passíveis de renúncia, perda, alienação, cessão, transferência nem qualquer outro procedimento que turbe sua natureza original intrínseca.
Polêmica
Art. 9 - O autorizado pessoa física deverá ser o próprio condutor do veículo por uma jornada mínima de 6 horas diárias e durante 5 dias da semana.


