Além de ser acusado de desviar R$ 196 milhões nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, o juiz Nicolau dos Santos Neto agora também é acusado de dar um calote de R$ 150 no taxista Airton Jardim Fontes, 47, que o transportou de Aceguá – fronteira do Brasil com o Uruguai – a um motel em Bagé (RS). A corrida foi feita no Palio vermelho do taxista.
Fontes disse que foi contratado às 10h30 de sexta-feira, em Bagé, por um senhor aparentando 40 anos que chegou em um Celta verde, placas IJQ 9067. ‘‘Ele me abordou perguntando se eu sabia qual era o motel mais afastado da cidade. Eu disse que conhecia o motel Fliper. Então, ele entrou no meu carro e nos dirigimos para lá.’’ No motel Fliper, distante 5 quilômetros do centro de Bagé, o senhor que acompanhava o taxista fez a reserva da melhor suíte. Depois, foram juntos para a fronteira, pegaram o juiz e o deixaram no motel. No final das contas, não sobrou ninguém para pagar a corrida.
Em São Paulo, agentes da Polícia Federal afirmaram que Nicolau recusou o almoço servido ontem por volta do meio-dia na carceragem da corporação em Higienópolis. O cardápio incluía arroz, feijão, bife a parmeggiana, acelga com bacon, salada de alface e queijadinha de sobremesa. Além do juiz, estão detidos na carceragem três brasileiros, um argentino e um árabe. Nicolau está em uma sala improvisada no segundo andar do prédio, onde não há, segundo os policiais, nem televisão nem telefone.
Além de não comer, o juiz dormiu mal. Ele teria reclamado da situação, soltou frases sem sentido e tomou comprimidos. Parecia resmungar. Também mal tocou no café da manhã. Segundo os policiais, ele considera-se vítima de ‘‘uma indignidade’’ e nega ter se apropriado de dinheiro público. ‘‘É tudo mentira’’, repete. Insiste na versão de que sua fortuna tem origem na herança de um tio.

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