Tavares ignora regalias de Paolicchi em Maringá
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<br>De Maringá 
O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, e o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Gilberto Foltran, ignoraram ontem as denúncias de que o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi, desfruta de regalias na prisão do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM). ''Isso não chegou ao meu conhecimento'', desconversou Tavares, mesmo após ser lembrado por repórteres de que o assunto foi manchete da Folha na última quinta-feira.
Visivelmente incomodados com perguntas sobre o assunto, o secretário e o comandante se negaram a falar sobre Paolicchi, mantido preso há um ano em um quarto especial do batalhão. A rápida entrevista com as duas autoridades foi concedida no aeroporto de Maringá, momentos antes da solenidade de entrega de novas viaturas, realizada ontem pela manhã, no 4º BPM.
Segundo Tavares, o assunto ''não tem nada a ver com a secretaria e deve ser avaliado pela própria Justiça''. ''O batalhão tem a responsabilidade de guardar o réu e manter a sua integridade física, nada mais além disso'', comentou o secretário. ''E agora me dá licença que tenho assuntos muito mais relevantes para cuidar'', concluiu, encerrando a entrevista.
Nem mesmo o fato de a equipe de reportagem da Folha ter sido ameaçada pelo chefe de segurança do ex-secretário, Moacyr Adami, chamou a atenção das duas autoridades.
O comandante-geral da PM disse que só irá apurar as denúncias de regalias se for formalmente ''oficiado'' sobre a situação. Indagado sobre como a denúncia poderia ser feita, Foltran apenas informou que ''qualquer um do povo'' pode acioná-lo. ''A partir daí, se for o caso, nós vamos averiguar. Mas, por enquanto, não tenho nenhum conhecimento do assunto'', ressaltou.
Na edição de quinta-feira, a Folha deu destaque a um assunto que já era público em Maringá. Em reportagem exclusiva, realizada durante duas semanas, a Folha apurou e, em determinados casos, constatou uma série de privilégios concedidos ao ex-secretário.
Luiz Antônio Paolicchi é quem determina o horário de visitas e nenhuma das pessoas que vão vê-lo passa por revista na recepção do batalhão. Além disso, o ex-secretário caminha livremente pelo quartel e desfruta de comodidades que só o dinheiro pode proporcionar a uma pessoa presa. A alimentação e o conforto do quarto são incompatíveis com o estilo prisional imposto aos detentos das delegacias paranaenses.
O ex-secretário é acusado de participar de um esquema que desviou mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de Maringá. Nos últimos dez anos, Paolicchi amealhou uma mineradora, carros importados, apartamentos, casas e fazendas, atuando como diretor e secretário de Fazenda de Maringá.
Paolicchi responde a quatro processos na Justiça Estadual e outros dois na Justiça Federal. Em quase todos, tem como principal parceiro nas denúncias o ex-prefeito Jairo Gianoto. A sentença do processo da Justiça Federal, que originou a prisão do ex-secretário, deve sair até o dia 20 deste mês.


