Brasília - Para evitar novas obstruções da oposição, o presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), marcou várias sessões seguidas para a próxima quarta-feira, cada uma delas com duração de duas horas. Os trabalhos começarão às 14h30. Se um pedido de verificação de quorum derrubar a primeira sessão, a tática adotada pelo senador possibilitará o reinicio das atividades logo em seguida. ''Basta aguardar a hora da próxima sessão'', explicou.

Otimista, o presidente da comissão espera não ter de se valer dessa saída, caso funcionem os apelos dos líderes governistas para que pelos menos 33 deputados e 12 senadores compareçam ao Congresso para votar o orçamento de 2002 na comissão mista. Se na comissão tudo sair como ele espera, será possível votar o Orçamento em plenário na sexta-feira. Alí, o quorum de maioria absoluta vai exigir a presença de no mínimo 257 deputados e 41 senadores, o que não é fácil de se conseguir na vésperas do Ano Novo. Sem esse número, a votação fica adiada para o início de janeiro, informou Bezerra. ''90% do Orçamento já foi votado'', lembrou. ''Basta um pouco de boa vontade para concluirmos os trabalhos''.

Bezerra acusa a oposição de agir com ''irracionalidade, movida por questões paroquiais''. Refere-se, no caso, à iniciativa do senador petista Tião Viana (AC), que conseguiu paralisar a sessão, na madrugada de sábado, ao solicitar votação nominal para verificação do quorum. Viana teve o apoio do senador Wellington Roberto (PMDB-PB). Os dois teriam reagido dessa forma em protesto à rejeição dos destaques que apresentaram.

Caso o próximo ano comece sem a lei orçamentária sancionada, o governo fica impedido de realizar uma série de gastos. Poderão ser realizadas apenas as despesas obrigatórias, como salários e benefícios previdenciários.

Para o líder do PT, Walter Pinheiro (BA), a questão poderia ter sido resolvida há mais tempo, se o governo tivesse concordado em elevar o salário mínimo em mais de R$ 200 e a ''recalcular'' as dívidas dos pequenos e médios agricultores. Ele disse que foi a oposição da Câmara que pediu a Tião Viana que obstruísse a sessão. ''Se não houver um acordo, o Orçamento não será votado antes da sexta-feira.''

A questão do salário mínimo parou porque o governo alega que as fontes de recursos apontadas pela oposição são inconsistentes. Pinheiro questiona a concentração de poderes do relator do Orçamento de 2002, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), encarregado de distribuir ''quase R$ 1 bilhão de verbas'' da forma que melhor lhe pareceu e não a programas sociais específicos, como defende a oposição.

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