Tática de dividir campo adversário faz parte de jogo antigo
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sábado, 30 de junho de 2001
De Brasília 
Não é de hoje que os governantes brasileiros fazem bom uso da máxima de dividir o campo adversário para governar, tal como ocorre agora com o Palácio do Planalto quando incentiva, nos bastidores, a candidatura de Itamar em 2002. Que o diga o bruxo Golbery do Couto e Silva, que aproveitou os ventos da redemocratização para pôr fim ao bipartidarismo que, com o crescimento do MDB, passou a ameaçar a continuidade do regime militar. Especialista na alquimia do sistema para manter o poder, Golbery encontrou no pluripartidarismo a fórmula de dividir o adversário.
Enquanto a oposição a Figueiredo se fragmentava, com o velho MDB pulverizado entre PMDB, PDT, PTB, PT e PC do B, o bloco governista mantinha-se coeso e forte, abrigado no PDS. Àquela altura, a anistia já havia trazido de volta à cena política o ex-governador Leonel Brizola que, depois de muito brigar pela legenda trabalhista, acabou inventando o PDT, derrotado que foi para Ivete Vargas, a filha de Getúlio que ficou com o comando do PTB.
Mas nem tudo foram flores para o governo militar no pluripartidarismo. Diante do risco de perder o controle do Congresso na votação do decreto-lei salarial 2045, assinado pelo todo poderoso czar da economia, Delfim Neto, o jeito foi inaugurar o fisiologismo. O preço para evitar a derrota do multi-ministro da Agricultura, Fazenda e Planejamento foi entregar o comando da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal) ao PTB da deputada Ivete Vargas.
Garantiu-se, assim, os votos da bancada petebista ao governo, método usado com grande sucesso até o movimento pelas diretas que virou os votos no Colégio Eleitoral. Em 11 de agosto de 1984, o fisiologismo e o deputado Paulo Maluf foram derrotados por Tancredo, fechando as portas do laboratório de Golbery e dando início à Nova República. (A.E.)


