O governador reeleito do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), pôs-se à disposição para reabrir o diálogo entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o candidato derrotado do PPS à Presidência, Ciro Gomes. A iniciativa do governador tucano surgiu depois do pronunciamento do presidente anteontem, cobrando da oposição respeito ao resultado das urnas, ressaltando que esse é um momento de diálogo e solidariedade. ‘‘Seria uma reaproximação importante e, por isso, estou disposto a fazer esse esforço’’, disse. ‘‘Vou procurar o Ciro para conversar e acho que, aos poucos, vamos tentar desanuviar essa relação.’’
Ciro sai das urnas com uma votação expressiva, superando 7 milhões de votos. Este resultado fará com que o candidato derrotado do PPS se torne uma nova liderança política da centro-esquerda no País. Por isso, entende Jereissati, é importante que haja um diálogo entre o afilhado político e Fernando Henrique, principalmente num momento no qual o País precisa centrar esforços para enfrentar a crise. Mas, precavido, Jereissati prefere aguardar para retomar esse entendimento. ‘‘Do ponto de vista psicológico, é sempre bom esperar um pouco e deixar baixar a poeira’’, disse.
Jereissati aposta nesse entendimento entre setores da oposição e Fernando Henrique, reforçando a proposta do secretário-geral da Câmara, Ubiratan Aguiar (PSDB-CE). ‘‘Existe a possibilidade desse diálogo, e setores da oposição já manifestaram várias vezes esse desejo’’, observou Jereissati, lembrando que essa seria uma posição patriótica, uma vez que as eleições acabaram.
No PPS, o presidente nacional do partido e candidato derrotado a vice-presidente, senador Roberto Freire (PE), mostrou-se favorável a essa idéia. O entendimento também recebe apoio de setores da esquerda tradicional, como o líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ), o governador eleito de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), e até o petista Cristóvam Buarque, governador do Distrito Federal.
Durante um ano, o governador do Ceará viveu momentos de constrangimento, ao ver dois amigos disputando a Presidência. Dos aliados em Brasília, Jereissati teve de ouvir calado as farpas, vindas, principalmente, de integrantes do PMDB, de que estaria fazendo corpo mole no Ceará pela reeleição de Fernando Henrique. Ao fechar a apuração no Estado, onde Ciro Gomes ficou com 34% dos votos e o presidente, com 30%, Jereissati afirmou: ‘‘Toda a imprensa falava que Fernando Henrique iria levar uma surra de Ciro Gomes no Ceará, e o que se viu no final foi uma diferença de apenas 4 pontos percentuais.’’
Freire O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), considera muito difícil um entendimento nacional, como propôs o presidente Fernando Henrique. ‘‘Se já não é fácil buscar os consensos dentro do governo, imagine junto com as oposições’’, avalia, ao afirmar, no entanto, que o partido está aberto a um ‘‘diálogo nacional’’.
Freire exemplifica com as reformas tributária e fiscal, ‘‘que devem ser feitas, mas não podem ser colocadas como uma disputa entre o governo e a oposição’’. Ele lembra que isso aconteceu com a reforma previdenciária, e o resultado foi a necessidade de uma ‘‘reforma 2’’.
‘‘Por isso, o diálogo se torna essencial.’’ Freire disse também que a crise vivida pelo Brasil vai atingir toda a sociedade e, embora responsabilize a política de Fernando Henrique por essa difícil situação, não prega o ditado ‘‘Quem pariu Mateus, que embale’’.Arquivo FolhaTasso Jereissati: ‘‘Vou procurar o Ciro Gomes para conversar’’Gerson Camarotti
Agência Estado

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